15/08/2025
Há mais ou menos uma semana escrevi uma publicação sobre aquilo que achava em relação ao horário de amamentação para lá dos dois anos da criança. Escrevi, com educação, que acreditava que não devíamos colocar o foco na mama porque o direito à redução de horário deveria ser transversal a todos os pais com filhos pequenos. Depois, na Rádio Observador, reforcei a minha posição.
Escrevi sempre de forma educada, na minha própria página, e não saí daqui para ir chatear a cabeça de ninguém. Usei o meu espaço para dar a minha opinião. Mas os ataques começaram nesse dia. Profundamente asquerosos. Entre o “é uma vergonha seres enfermeira”, o “devias fazer terapia”, o “metes nojo” e o “és uma frustrada”, achei que, se calhar, era bom escrever uma crónica completa onde fundamentasse a minha posição.
A primeira parte dessa crónica saiu Domingo, na minha coluna no Público. Uma crónica onde escrevi claramente que o leite materno é o melhor alimento para os bebés e que até aos 2 anos as vantagens da amamentação estão comprovadas. Está lá escrito, com todas as letras. E depois disso fundamentei a minha posição, porque efectivamente NÃO há estudos que provem benefícios evidentes para lá dos dois anos. Fui, novamente, educada na crónica que escrevi, fundamentei tudo, deixei até links para estudos.
Mas, por não terem lido a crónica completa ou por serem analfabetas funcionais, elas vieram em bando. E as defensores da paz e do amor, do shanti-shanti, da gratidão e do “sente-te abraçada”mostraram que, afinal, são incapazes de aceitar uma opinião contrária mesmo que educada e fundamentada. Vou repetir:
eu não saí do meu espaço, não saí da minha página. Foram elas que vieram para aqui em bando sugerir terapia (ainda hoje, numa MP, uma mãe que amamenta o filho com NOVE ANOS sugeriu que eu procurasse ajuda psicológica) e lançar as acusações mais idiotas. Tenho a caixa de mensagens a abarrotar de lixo de um nível absolutamente rasteiro.
E depois há quem se ofenda quando eu digo que a amamentação prolongada se transformou numa seita. Caramba, é óbvio que transformou. Na cabeça destas mulheres a amamentação para lá dos dois anos é um dogma absolutamente inquestionável. E têm uma dualidade de critérios que chega a assustar: mostramos uma meta-análise que relaciona amamentação prolongada e cáries e elas rasgam as vestes porque há muitos outros factores e não se pode estabelecer uma relação directa, mas depois defendem com unhas e dentes que amamentar aumenta o QI agarradas a estudos com p>>>0.05 e um irrelevância estatística brutal sem considerarem todas as outras vertentes e os estudos com menos factores de confusão - que são os realizados com irmãos (mas sobre isto do QI e da amamentação falo na minha crónica do próximo Domingo).
Por falar na crónica de Domingo, vai ser a minha última intervenção pública sobre este tema da amamentação porque, efectivamente, não estou para aturar mais esta gente fundamentalista, completamente alucinada e incapaz de aceitar que nem todas engolimos a ideia de que a amamentação é o Santo Graal ou que é muito normal amamentar crianças de sete anos.
Volto a repetir: foram elas que vieram para aqui ofender, foram elas que vieram ao MEU espaço, foram elas que me identificaram em dezenas de stories do mais reles possível (mas algumas delas eu juro que compreendo: são as que sentem que lhes mexi com o negócio). Eu dei a minha opinião, quer no post, quer na rádio, quer na crónica, com coerência e fundamentação.
Dito isto, a minha paciência acabou de vez. É demasiada loucura à solta. Mensagens de “vou deixar de seguir” (como se isto fosse um aeroporto e houvesse necessidade de informar das partidas), mensagens passivo-agressivas, mensagens condescendentes profundamente asquerosas e, finalmente, mensagens de supostas especialistas no tema que deviam eram dedicar-se a melhorar o português.
A partir de agora acabou: os comentários das publicações sobre o tema “mamas” ficam fechados e quem vier com lixo no privado vai corrido a bloqueio. Quem não sabe viver com o contraditório e respeitar o espaço de opinião dos outros também não sabe viver em democracia. E aqui não é bem-vindo.