29/04/2022
Uma criança não manipula. Bebês não fazem manha. Eles não tem sequer “equipamento” neurológico para isso. Colo não vicia, colo dá segurança. Se alguém um dia te disse algo parecido, melhor afastar-se.
Vamos tentar entender a criança desde o seu estágio de desenvolvimento em vez de interpretar suas ações a partir de um ponto de vista adulto.
Você deve conhecer a “regra de ouro” - “não faça aos outros o que não queres que te façam”, presente em muitas tradições. Aplicada à infância, Elam poderia ser “não faça a uma criança o que você não faria a um adulto.
O respeito a um ser humano deve valer e, qualquer idade. Se uma amiga ou um colega seu de escritório tiver um ataque de raiva por que foi humilhado pelo gerente, você não vai bater neles nem gritar - você vai abraçar, tentar acalmá-los. Se ele/ela estiver triste ou ansioso, chorando, você não vai gritar “para com isso, está chorando à toa” - você vai perguntar se ele quer conversar, se ela precisa de um “colo”.
O mesmo vale para a criança. É muito importante escutá-la. E demonstrar que estamos legitimando o que ela está sentido. Afinal, TODO sentimento é legítimo - mesmo que seja negativo, e mesmo sem razão aparente. Se alguém te pisa e machuca, mesmo sem querer, você talvez fique com raiva, mesmo que tenha sido sem querer. Porque a gente não controla o que sente, e a criança também não.
O que nós podemos controlar são as ações que realizamos em função das emoções. Você não sairia agredindo quem te deu um pisão. Mas a criança ainda precisa aprender esse controle. Seu córtex pré-frontal, a área que exerce funções de controle no cérebro, ainda é muito imaturo. Ela não sabe sequer diferenciar a emoção da reação. Então cabe a nós mostrar que são coisas diferentes - que ela pode sentir tudo, que todo sentimento é OK - mas que não pode FAZER tudo - bater por exemplo, deve ser contido com gentileza, orientado, acalmado. Como se diz hoje, a co-regulação é fundamental: ajudá-la a superar a emoção negativa acolhendo a emoção, nomeando, respirando junto, oferecendo um abraço, esperando passar. Sempre passa.
Empatia e orientação nunca são demasiados. Limites sim, mas com carinho e autoridade serena.