10/04/2024
Os anestésicos são definidos como fármacos que podem bloquear temporariamente a geração e transmissão de estímulos nervosos na região onde foram aplicados, permitindo a realização de procedimentos invasivos e cirúrgicos sem dor.
Na odontologia, são amplamente utilizados pelos cirurgiões-dentistas em diversas situações clínicas, mas requerem alguns cuidados para que atuem de forma segura e eficiente.
A seguir, veja quais são os principais anestésicos odontológicos, como escolher a solução anestésica ideal e dicas para tornar o procedimento mais confortável para seus pacientes.
Quais os principais anestésicos odontológicos?
Os anestésicos odontológicos são utilizados para induzir a anestesia a nível local antes da realização de cirurgias, tratamentos de canal e demais procedimentos invasivos.
Dentre os tipos de sais anestésicos disponíveis, destacam-se:
Lidocaína (1 e 2% com ou sem vaso constritor)
A lidocaína tem sido o anestésico mais usado pelos profissionais da área da saúde, inclusive dentistas.
Após aplicado, começa a ter início de ação entre 2 e 4 minutos, com duração anestésica limitada, de 5 a 10 minutos em polpa.
Em associação com vasoconstritor, sua duração pode ser de 40 a 60 minutos em polpa e de 120 a 150 minutos em tecidos moles.
Ou seja, na Odontologia, não há indicação de uso de lidocaína à 2% sem vasoconstritor.
Prilocaína (3% com felipressina)
A procaína é um anestésico com potência parecida com a lidocaína, porém com menor nível de toxicidade.
Possui início de ação de 2 a 4 minutos e apresentações sem e com vasoconstritor. Com agente vasoconstritor, oferece duração anestésica em polpa de 60 a 90 minutos e em tecidos moles de 3 a 8 horas.
Devido à rápida metabolização, a procaína é contraindicada para cirurgias mais extensas.
Também não deve ser usada em pacientes grávidas, pacientes com insuficiência cardíaca ou respiratória evidenciada por hipoxia, entre outros, pois diminui a capacidade do transporte de oxigênio do sangue.
Mepivacaína (2% com vasoconstritor ou 3% sem vasoconstritor)
A Mepivacaína é um anestésico muito popular na Odontologia e se destaca por oferecer um tempo maior de anestesia se comparado aos demais anestésicos sem vasoconstritor.
Classif**ada como uma solução de duração intermediária, seu início de ação é entre 2 e 3 minutos, com duração de 1 hora em polpa e de 3 a 5 horas em tecidos moles.
É uma boa escolha em casos de infecção, contudo não deve ser usada em pacientes gestantes.
Bupivacaína (0,5% com ou sem vasoconstritor)
A bupivacaína é o anestésico mais utilizado em âmbito hospitalar, com potência anestésica 4 vezes maior do que os demais anestésicos do tipo amida.
Seu início de ação é mais longo, de 6 a 10 minutos. A ação anestésica em polpa varia de 1 hora e meia a 3 horas, já em tecidos modelos pode durar de 4 a 9 horas.
Isso a classif**a como um anestésico de longa duração, indicada para procedimentos onde se espera um intenso traumatismo, como cirurgias periodontais, procedimentos endodônticos e extrações múltiplas.
Articaína (4% com ou sem vasoconstritor)
A articaína foi o último anestésico lançado no mercado brasileiro.
É uma droga de baixa toxicidade sistêmica, por isso, pode ser usada em concentrações mais altas do que os demais anestésicos.
Seu início de ação acontece entre 1 e 2 minutos, e seus efeitos podem durar de 60 a 75 minutos em tecidos pulpares e de 3 a 6 horas em tecidos moles.
Possui excelente difusão através de ossos e tecidos moles. Sua metabolização ocorre no sangue e no fígado.
Uso de vasoconstritores
Os anestésicos possuem propriedades vasodilatadoras, isso signif**a que, ao serem aplicados, expandem os vasos sanguíneos, levando, consequentemente, ao aumento do fluxo sanguíneo.
Desse modo, a fim de compensar essa ação vasodilatadora, é comum que agentes vasoconstritores sejam associados aos anestésicos locais.
No Brasil, o vasoconstritor mais utilizado é a epinefrina (adrenalina), seguido de norepinefrina (noradrenalina), corbadrina (levonordefrina), fenilefrina e felipressina – análogo sintético da vasopressina.
Os principais benefícios dos vasoconstritores são:
Diminuição da toxicidade sistêmica do anestésico;
Redução da quantidade de solução anestésica usada em um procedimento;
Absorção do sal anestésico pelo organismo de forma mais lenta;
Aumento do tempo de duração da anestesia;
Hemostasia, ou seja, redução da perda de sangue em procedimentos envolvendo sangramento, como exodontias e cirurgias.
Mas lembre-se: antes de utilizar um anestésico com vasoconstritor, é fundamental compreender as contraindicações de cada um dos agentes vasoconstritores.
Atenção especial a pacientes gestantes, pacientes com hipertensão, pacientes com histórico de Infarto Agudo no Miocárdio, dentre outras condições sistêmicas.
Como escolher o anestésico odontológico ideal para cada procedimento?
A escolha da solução anestésica ideal para cada tipo de procedimento irá depender de diversos fatores, como:
Duração do procedimento;
Necessidade de controle da dor após o procedimento;
Início de ação do sal anestésico;
Tipo de anestesia: terminal, regional ou troncular;
Nível de toxicidade, a fim de evitar intercorrências;
Necessidade de hemostasia – como o uso de vasoconstritores em procedimentos cirúrgicos, por exemplo.
Contraindicações absolutas ou relativas da solução anestésica;
Condições sistêmicas do paciente;
Dose máxima recomendada, independentemente do peso.
Como calcular a dose máxima de anestésicos?
Após avaliar as particularidades de cada caso e paciente, assim como as características do anestésico de escolha adequado, o próximo passo é calcular a dose máxima do sal anestésico.
Para isso, o profissional deve considerar a concentração da solução anestésica a ser utilizada, o peso do paciente e a dosagem máxima recomendada de cada substância.
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