07/07/2026
🦷 Durante muito tempo, o bruxismo foi visto apenas como um hábito prejudicial que precisava ser eliminado. Hoje, essa visão mudou. O consenso internacional mais recente reconhece que o bruxismo não é uma doença, mas uma atividade muscular mandibular que, dependendo do contexto, pode atuar como fator de risco, fator protetor ou até mesmo ser clinicamente irrelevante.
É nesse contexto que se destaca o Bruxismo Secundário: aquele que ocorre associado a outra condição clínica, como distúrbios respiratórios do sono, refluxo gastroesofágico, doenças neurológicas ou uso de determinados medicamentos. Nesses casos, o bruxismo pode representar uma resposta adaptativa do organismo, e não o problema em si.
Um exemplo clássico é a associação entre bruxismo do sono e apneia obstrutiva do sono. Episódios de atividade muscular mandibular podem ocorrer próximos aos microdespertares, favorecendo a reabertura das vias aéreas e contribuindo para a retomada da respiração. Da mesma forma, há evidências de que o bruxismo possa estar relacionado a mecanismos de proteção frente ao refluxo gastroesofágico, auxiliando na salivação e na neutralização do ácido. Embora esses mecanismos ainda sejam objeto de pesquisa, eles reforçam que, em alguns pacientes, o bruxismo pode ser um marcador de uma condição sistêmica subjacente.
⚠️ Isso não significa que o bruxismo seja inofensivo. Quando intenso ou persistente, ele pode causar desgaste dentário, fraturas, sobrecarga muscular, dor e comprometimento das articulações temporomandibulares. O objetivo do tratamento, portanto, não deve ser apenas controlar a atividade muscular, mas identificar e tratar sua causa quando ela existe.
🩺 Mais importante do que combater o bruxismo é compreender por que ele está acontecendo. Em muitos casos, ele não é o vilão da história, mas um sinal de que o organismo está tentando compensar outro problema que merece investigação. É por isso que um diagnóstico criterioso e uma abordagem baseada em evidências são fundamentais.