11/10/2025
Pesquisas em neurociência mostram que reclamar com frequência pode ter efeitos reais sobre o funcionamento do cérebro. Quando uma pessoa se envolve constantemente em pensamentos negativos ou em queixas repetitivas, seu sistema neural passa por um processo conhecido como neuroplasticidade negativa — ou seja, o cérebro se adapta para reproduzir esse padrão de comportamento com mais facilidade.
De acordo com estudos da Stanford University e de outras instituições de pesquisa em psicologia cognitiva, esse tipo de repetição ativa com mais intensidade áreas ligadas ao estresse e à resposta emocional, como a amígdala cerebral. Com o tempo, o cérebro tende a reforçar conexões associadas à insatisfação e à irritação, tornando a pessoa mais propensa a perceber e reagir de forma negativa a novas situações.
Os cientistas explicam que esse mecanismo é semelhante ao que ocorre em experiências de trauma, quando estímulos negativos ficam fortemente registrados nas redes neurais. Reclamar repetidamente cria um circuito automático que mantém o corpo em estado de alerta, elevando a liberação de hormônios como o cortisol, responsável pela resposta ao estresse.
Isso não significa que expressar descontentamento seja algo prejudicial por si só — desabafar ou identificar um problema pode ser saudável. O risco está na repetição constante e sem propósito, que reforça padrões mentais nocivos e afeta o equilíbrio emocional.
A boa notícia é que o mesmo princípio da neuroplasticidade pode ser usado de forma positiva. Práticas como gratidão, meditação e reformulação de pensamentos ajudam o cérebro a criar novas conexões ligadas ao bem-estar e à resiliência. Assim como a reclamação molda a mente para o pessimismo, o treino da atenção e das emoções pode reprogramá-la para enxergar o mundo de forma mais equilibrada e saudável.