22/07/2021
‘’Pandemia’’ é o termo usado pelos pesquisadores
da área da saúde para caracterizar o cenário que estamos
vivendo atualmente. As pandemias podem ser definidas
como epidemias de doenças de caráter infeccioso que se
espalham por vários países durante um mesmo período de
tempo. Em dezembro de 2019, um surto de pneumonia
começou na China e se espalhou por várias regiões
geográf**as, sendo causado pelo vírus que chamamos de
Coronavírus, ou como muitos chamam, Covid -19.desse
grupo de vírus, podendo lançar o vírus do tipo SARSCoV que pertence a mesma família do SARS-CoV-2. No
entanto, atualmente, ainda não se sabe a real origem e
os possíveis vetores intermediários da SARS-CoV-2, bem
como o mecanismo exato. Benvenuto et al. [9] destaca que
através de uma análise filogenética foi possível encontrar
uma origem de morcego para o SARS-CoV-2. Ele ainda
menciona que este vírus está relacionado apenas ao
coronavírus específico do tipo SARS de morcego isolado
de Rhinolophus sinicus em 2015 na China.
Os dados acerca do vírus relatam que o mesmo
apresenta uma elevada capacidade de infecção. Diante
disso, sabe-se que as principais vias de transmissão
incluem a transmissão direta, através de tosse e espirros;
a transmissão por contato com superfícies contaminadas
pelo vírus; e a transmissão indireta, por meio de fluidos e
saliva.
Levando em conta as características de um que incluem uma proximidade face a face entre os cirurgiõesdentistas e pacientes, exposição a saliva e outros
fluidos, possibilidade de contato com sangue, além de
instrumentos manuais, cortantes ou não, que podem
estar contaminados, faz-se necessário um cuidado
redobrado em relação ao manejo do paciente, limpeza
do consultório e proteção do profissional e auxiliares de
consultório diante do Covid-19. Ademais, sabe-se que,
durante um atendimento, há possibilidade de ocorrer
dispersão de respingos e aerossóis contendo patógenos
provenientes da seringa tríplice e turbina de alta rotação
utilizados nos atendimentos clínicos. Portanto, existe a
possibilidade de ocorrer uma contaminação cruzada. Vêse assim a necessidade de colocação de barreiras físicas
entre os equipamentos, assim como uma proteção de toda
a face, o corpo, o cabelo e os braços do operador, sendo
estas regiões bastante atingidas pelos respingos. Contudo,
apesar de suspenderem os atendimentos odontológicos
em muitas regiões, o atendimento de urgência ainda está
presente. E essas medidas se tornam essenciais a fim de
que tornem os profissionais e pacientes protegidos da
transmissão do vírus.
O consultório odontológico deve ser cuidadosa e
primorosamente limpo antes de se iniciar os atendimentos.
Deve ser realizada uma desinfecção rigorosa nos materiais,
equipamentos do consultório odontológico e também nas
maçanetas, cadeiras e no banheiro. Para isso sugere-se Hipoclorito de Sódio a 0,1%, Peróxido de Hidrogênio a
0,5%, álcool a 70%, ou até mesmo um desinfetante a ser
padronizado pelo serviço de saúde para essa finalidade, de
forma que todas superfícies tocadas sejam desinfetadas.
Isso é essencial, visto que há relatos de sobrevivência
do novo Coronavírus por 2 a 9 dias em superfícies. É
importante também que se retire todas as revistas das
salas de esperas a fim de evitar essa transmissão por
contato direto ao tocar objetos contaminados e depois
levar as mãos no nariz, boca ou nos olhos. A inativação
do vírus pode ser alcançada após 1 minuto com uso
de hipoclorito de sódio (principal componente da água
sanitária). Portanto recomenda-se a utilização dos
desinfetantes domésticos contendo hipoclorito de sódio.
Usar preferencialmente a água sanitária 2-2,5% – diluir
uma parte de água sanitária (250 ml) para 3 partes de
água (750ml), para obter 1 litro a 0,5% para desinfetar
superfícies como pisos, azulejos e paredes. Se a superfície
estiver suja deve ser limpa primeiramente com água e
sabão ou detergente e após ser realizada a desinfecção.
Em relação ao tratamento odontológico,
primeiramente, é necessário que o cirurgião-dentista lave
criteriosamente as mãos com água e sabão por 20 a 30
segundos, antes e depois de todos os procedimentos.
A fricção com o álcool 70% em gel se não estiver com
sujidade visível por no mínimo 20 segundos, também
é uma opção para o cirurgião dentista, quanto uma
recomendação para o paciente. Essa necessidade se dá
em vista de que a contaminação das mãos pelo vírus e a
sua posterior inoculação nas mucosas oral, nasal e ocular
é considerada uma das principais vias de transmissão.
Vale lembrar que o cirurgião-dentista precisa retirar todos
os adereços, como anéis, relógios e pulseiras antes de
fazer essa lavagem. Após lavar as mãos deve-se secá-las
com papel toalha.
Posteriormente, para o atendimento, todos
os materiais de proteção individuais (EPI’s) devem ser
utilizados pelo cirurgião-dentista, tais como o gorro, o
jaleco, a máscara, as luvas (que juntamente com a máscara
devem ser trocadas antes de um novo procedimento) e os
óculos de proteção. Viseiras ou protetores de face poderão
ser usados para proporcionar uma proteção mais efetiva,
porém nunca sem o uso da máscara. Além disso, depois
de cada procedimento deve ser feita a desinfecção dos
protetores de face e as máscaras devem ser retiradas por
meio de suas tiras ou elásticos e não devem ser tocadas
pelo profissional durante o atendimento. Vale ressaltar
que no caso do uso de um jaleco não descartável, ele
deve ser lavado separado das roupas do dia a dia, para não as contaminar.
Tuñas et al. (2020) considera a importância do
dentista solicitar ao paciente que se faça um bochecho
com Peróxido de Hidrogênio a 1% ou Lodopovidona a
0,2%, já que a solução de Clorexidina a 0,12%, bastante
utilizado em Odontologia, não se faz ef**az na prevenção
da transmissão do Covid-19. É necessário também, a
realização do isolamento absoluto do campo operatório
sempre que possível, visto ser uma ação que minimiza
a geração de aerossóis com grande contaminação se
utilizar alta rotação ou o ultrassom. Portanto, no caso da
impossibilidade do isolamento, é viável bastante cautela
durante o procedimento.
Recomenda-se também o uso de sugadores
de alta potência, de maneira que o trabalho a quatro
mãos seja estimulado para o controle de disseminação
do vírus; assim como evitar a utilização da seringa
tríplice na sua forma spray, acionando os dois botões
ao mesmo tempo para regular a saída de água de
refrigeração. Os motores com válvulas de antirretração
ou antirrefluxo são altamente aconselhados para previnir
contaminação cruzada. Apesar de já ser considerada uma
das várias e principais medidas de biossegurança nos
consultórios odontológicos, reforça-se a necessidade de
realizar autoclavagem das peças de mão após todos os
atendimentos, assim como todo o material deverá ser
esterilizado em autoclaves. É preciso ressaltar também o
cuidado no manuseio de materiais perfurocortantes, já
que as infecções podem acontecer após acidentes com
os mesmos.
Por fim, é muito importante a presença de álcool
em gel 70% nas salas de espera, para uso do paciente,
acompanhante e secretária. O cirurgião dentista como
profissional da área da saúde, deve orientar o paciente
em relação a higiene das mãos, etiqueta respiratória
e de tosse, além de pedir para que evite o toque de
mãos nos olhos, nariz ou boca, evitando dessa forma a
contaminação.
Conclui-se, portanto, que são muitas as
responsabilidades dos cirurgiões dentistas frente a
essas novas medidas a serem tomadas. Essas medidas
passam por uma boa orientação e um correto manejo
do paciente; uma exímia limpeza do consultório; uma
impecável esterilização do instrumental odontológico;
uso de todos os equipamentos de proteção individual;
assim como uma postura exemplar ao ser fiel a todos os
tópicos citados anteriormente. No entanto, são medidas
bastante necessárias e essenciais por se tratarem de
condutas para conter e prevenir a contaminação pelo Covid-19 quanto mais aderirmos a essas medidas, mais
rapidamente passaremos por essa Pandemia.
Fonte:https://iajmh.emnuvens.com.br/iajmh/article/view/86
https://iajmh.emnuvens.com.br/.../86-Article%20Text-353-1...