27/02/2020
RELAÇÃO DA OCLUSÃO DENTÁRIA NA PRESENÇA DE CURVATURAS NÃO FISIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
(Fonte: Rev. Assoc. Paul. Cir. Dent. vol.70 no.1 Sao Paulo Jan./Mar. 2016).
A coluna vertebral é o pilar ósseo central do corpo humano suportando o crânio, membros superiores, gradil torácico, transmitindo ainda o peso corpóreo para os membros inferiores. Existe uma correlação entre postura mandibular e o sistema tônico postural de um indivíduo, sendo relevante uma análise ampla e complexa que deve ser estendida além da cavidade bucal. Dentro desta lógica, repousa a importância dos diversos profissionais de saúde e, sobretudo dos odontólogos, correlacionarem a maloclusão dentária com os desvios da coluna vertebral, uma vez que existe íntima ligação, outrora não perceptível, entre eles. As práticas de saúde evoluíram no tempo e com elas a visão fragmentada da Ciência em diversas especialidades foi caminhando aos poucos com a tentativa de integralizar novamente o cuidar.
A coluna vertebral humana está dividida em cinco regiões: cervical, torácica, lombar, sacral e coccígea. Compõe-se de 33 ossos curtos denominados vértebras e intercaladas por discos intervertebrais. Funcionalmente a coluna vertebral exerce movimentos de rigidez e flexibilidade proporcionando inserção para as estruturas cervicais, torácicas, abdominais e vísceras da pelve. Quando todas essas forças musculares exercem sustentação para que o corpo permaneça em posição ortostática sem causar danos as estruturas orgânica caracteriza-se a postura corporal. Assim, a posição postural do corpo envolve o mínimo de estiramento e stress das estruturas do corpo com menor gasto de energia para se obter o máximo de eficiência no uso do corpo.
A postura normal representada pela articulação craniométrica em posição mais superior da coluna cervical pode apresentar alterações com curvaturas consideradas não fisiológicas. Dentre as disfunções vertebrais está a lordose definida como uma curvatura convexa acentuada na região cervical e lombar. A cifose caracteriza-se por uma flexão acentuada na área torácica e a escoliose quando surgem curvas lateralmente em visão ântero-posterior.
A oclusão dentária envolve atividades funcionais que resultam na incidência de forças sobre os elementos dentais, distribuídas de maneira variável às estruturas de suporte periodontal dentro dos limites da capacidade adaptativa do sistema mastigatório. Diversos estudos relatam que fatores posturais podem ser originários do sistema estomatognático e a relação inversa também considerada, ou seja, a postura corporal interfere na posição da cabeça, que por sua vez é diretamente responsável pela postura da mandíbula e da língua na cavidade bucal. Quando a mandíbula dispõe-se fisiologicamente alterada ocorrem modificações na posição do crânio e consequentemente alteração na coluna cervical e vertebral. Com isso, podem surgir sintomatologias dolorosas faciais, lombares, cefaleias, cervicalgias, cervicobraquialgias.
Conclusão da pesquisa publicada no artigo acima:
"Com base nos resultados obtidos, conclui-se que as curvaturas não fisiológicas da coluna vertebral estão relacionadas às relações vertical e ântero-posterior de oclusão, não havendo associação com o gênero e idade.
De tal modo, evidencia-se a necessidade da atuação interligada entre as diversas especialidades assim como a implementação de mais estudos para se estabelecer a relação entre os desequilíbrios maxilomandibulares e as disfunções vertebrais".
Fonte: Rev. Assoc. Paul. Cir. Dent. vol.70 no.1 Sao Paulo Jan./Mar. 2016