12/03/2016
ODONTOLOGIA + MEDICINA = POR QUE SEU PACIENTE NÃO É SÓ UMA BOCA!
A insuficiência renal crônica (IRC) é caracterizada pela perda progressiva e irreversível das funções renais. Pode ser consequência, dentre outros problemas, de diabetes e hipertensão arterial sistêmica.
Os pacientes com o problema geralmente possuem vários comprometimentos de saúde, dentre os quais problemas bucais que podem agravar o quadro clínico sistêmico e alterações sistêmicas que podem deixar mais complexo o tratamento odontológico.
Primeiramente, ressalta-se o risco aumentado de sangramento que os pacientes nefrológicos apresentam, devido às alterações hematológicas inerentes dessa condição em si e também em decorrência do uso de heparina durante o procedimento de hemodiálise, caso seja empregado. Assim, se o paciente precisar ser submetido a uma cirurgia odontológica ou qualquer outro procedimento cruento, recomenda-se que os mesmos sejam realizados no dia seguinte ao tratamento da diálise pois, dessa forma, o paciente estará em melhor estado fisiológico para o ato cirúrgico e com menor risco de sangramento.
Em segundo lugar, à medida que a doença se agrava, o paciente pode apresentar náuseas e vômitos, o que pode prejudicar diretamente a saúde bucal, predispondo a alterações como erosão ácida do esmalte dentário e ulcerações em mucosa, devido ao pH ácido do vômito.
Terceiro, não podemos esquecer que várias pesquisas evidenciam alterações na quantidade e na qualidade da saliva. Verifica-se hipossalivação, em decorrência da restrição de consumo de líquidos prescrita aos pacientes nefrológicos, como estratégia para minimizar a sobrecarga aos rins, mas também existem mudanças na composição salivar, sobretudo relacionadas ao acúmulo de uréia e ao pH salivar aumentado.
Uma importante consequência das alterações salivares é a maior predisposição para o acúmulo de cálculo dentário que, por sua vez, favorece às alterações periodontais.
Em quarto lugar, outras questões que merecem ênfase são relativas às queixas frequentes de alterações do paladar (disgeusia) e do hálito.
A disgeusia explica-se pelos índices aumentados de uréia na saliva e devido às alterações de volume salivar em si.
Já a halitose é devida às alterações bucais em si, com ênfase no acúmulo de cálculo dentário, nas ulcerações bucais e nas alterações salivares. O mau hálito, apesar de não ser uma doença, prejudica a autoestima e os relacionamentos interpessoais, com impacto direto na saúde e qualidade de vida.
Frente às considerações expostas, em casos de insuficiência renal, o ideal é procurar atenção odontológica qualificada, para avaliar o paciente, evitando e minimizando problemas e proporcionando o tratamento odontológico mais adequado à manutenção da saúde de forma ampla, além de preparar o paciente para o transplante renal, quando o procedimento for viável.