24/08/2026
LIBERTANDO O PACIENTE DA “TIRANIA DO PASSADO”
Gabor Maté fala sobre a Tirania do Passado, um estado em que as dores antigas continuam moldando o presente. Peter Levine complementa dizendo que o trauma não é o evento em si, mas a energia que ficou presa no corpo. Essa energia, se não for acolhida, reaparece em forma de medo, tensão ou resistência — inclusive na cadeira do dentista.
No consultório, percebo que muitos pacientes trazem não apenas problemas dentários, mas também marcas emocionais de experiências anteriores. Uma anestesia mal aplicada, um atendimento frio, ou até o som do motor podem reativar memórias de dor. É aí que entra a escuta ativa e amorosa: antes de tocar o dente, eu escuto o ser humano que se me apresenta…
A escuta ativa é mais do que ouvir — é acolher sem julgamento. É perceber o que o paciente sente, mesmo quando não verbaliza. Essa postura cria segurança e permite que o corpo relaxe, abrindo espaço para o cuidado real.
Minhas formações complementares em psicologia me ajudam a compreender o comportamento humano diante da dor e do medo. Uso técnicas de respiração, comunicação empática e observação corporal para transformar o atendimento em uma experiência de cura, não apenas de tratamento.
Quando o paciente se sente visto e ouvido, o passado perde o poder de dominar o presente. A odontologia deixa de ser apenas técnica e se torna um espaço de reconexão. É assim que eu trabalho: com ciência, sensibilidade e presença.