30/01/2026
A odontologia oncológica tem seus encantos, desafios e recompensas, mas nunca nos prepara para as despedidas. Estudamos técnicas, protocolos e tratamentos, mas nenhuma aula ensina sobre empatia, vínculo e a dor da saudade.
Convivemos com histórias, famílias e sonhos interrompidos, dividindo dias difíceis e criando laços que vão além do cuidado profissional. Nos livros ou artigos, não aprendemos sobre proteção emocional; esse aprendizado adquirimos vivendo, sentindo e tentando ressignificar cada perda.
Depois de quase 10 anos na área, sigo me emocionando e me envolvendo. Crio vínculos, compartilho fé, afeto e carinho. E, quando a partida chega — mesmo que muitas vezes esperada —, ela dilacera. Algumas despedidas doem mais do que outras. Não dá para evitar. A gente não se “acostuma”.
Ontem, me despedi de alguém que trouxe alegria, ensinamentos, amor e muitas risadas aos meus dias. Não há recompensa maior do que saber que honrei essa história em vida. Sentirei saudade do convívio diário, dos conselhos e, principalmente, dos aprendizados.
Ela talvez não saiba, mas me ensinou muito além da técnica do cuidado. Ensinou que cuidar não exige apenas conhecimento, mas a sabedoria de compreender que a vida do outro é valiosa. Que a empatia é capaz de tornar o sofrimento mais leve e que segurar a mão de alguém nos momentos difíceis também cura muitas das nossas próprias dores.
À minha paciente e amiga, desejo descanso e luz. ✨❤️
Com carinho, Jully