06/10/2026
Estávamos na UTI, aguardando um paciente terminar um procedimento para que pudéssemos iniciar o nosso.
Nesse intervalo, acompanhamos de perto o trabalho da fisioterapia com outra paciente internada. Traqueostomizada e com restrição à ingestão de água, ela recebia, ao final do atendimento, pequenos “goles” proporcionados por uma gaze umedecida que a profissional passava delicadamente pela boca.
Ela queria mais. E mais…
Sem compreender exatamente por que não podia beber água, apenas desejava prolongar aquela sensação tão simples, tão comum no dia a dia, mas que naquele momento havia se tornado algo tão precioso.
E foi impossível não pensar na grandiosidade das coisas simples.
Naquilo que fazemos todos os dias sem perceber o quanto é valioso. Na água que bebemos, na comida que saboreamos, na possibilidade de falar, caminhar, respirar, escolher, sair de casa, viver uma rotina com autonomia.
Muitas vezes, estamos tão ocupados buscando o que falta que deixamos de perceber o valor imenso do que já temos.
Até que a vulnerabilidade nos mostra que aquilo que parecia básico pode ser extraordinário!
Que possamos ser mais gratos pela vida, pela saúde e, principalmente, pela possibilidade de desfrutar das coisas simples que tornam a nossa rotina funcional, autônoma e digna🤍