29/10/2025
Há experiências que não cabem em métricas. O Brasil Ride 2025 foi uma delas.
Depois de 2019 voltei para mais sete dias atravessando terrenos com: chuva torrencial, lama que engole a roda, montanhas, trilhas infinitas na reserva Pau-Brasil que pareciam saídas de um épico medieval. Um cenário onde a bike vira ferramenta, o corpo vira LIMITE e a mente vira DECISÃO.
Não existe glamour quando você está há horas empurrando a bike montanha acima, sentindo o barro puxar cada centímetro como se a natureza testasse sua legitimidade. Não existe plateia quando a chuva cai horizontal, quando a água desce pelo corpo e já não se sabe se é suor, chuva ou teimosia líquida. Ali, só existe você, a vontade de continuar e a dúvida íntima se isso faz sentido. Faz. Mas só no fim.
E talvez seja por isso que, hoje, tantas organizações de alto escalão veem valor em profissionais que atravessaram experiências extremas como esta. Ex: Ironman, Ultra 100k, Ultra-Trails, etc.
Não por vaidade esportiva, mas porque, em cargos de comando como: CEO, presidência, conselhos, espera-se alguém que já tenha encarado ambientes imprevisíveis, hostis e mentalmente extenuantes.
A resiliência necessária para liderar em tempos de caos se forja exatamente nesses territórios onde não há atalhos, discursos ou aparências: há apenas decisão, consistência e caráter.
A verdade é que provas assim não se completam com performance. Completam-se com um tipo de convicção primitiva que a modernidade tentou apagar. Uma disciplina que nasce quando o corpo já pediu arrego e a mente responde: “mais um passo”. E outro. E outro.
Ser finisher (dentro do tempo permitido) desta edição, declarada a mais difícil em 15 anos, não é sobre medalha. É sobre atravessar um território onde poucos têm coragem de se preparar e entrar. E menos ainda conseguem sair. É sobre olhar para trás e perceber que a vitória não está na velocidade, mas na raridade. Porque, no mundo inteiro, quase ninguém viveu isso. Não é metáfora. É estatística.
Este Br Ride, não foi só uma prova. Foi um rito de passagem, deixou marcas que não aparecem em fotos, mas que mudam quem você é quando a lama seca.
Valeu pela parceria