15/07/2026
Falo muito sobre técnica, sobre protocolo, sobre planejamento cirúrgico. Mas existe um fator que sustenta tudo isso e que raramente entra na conversa entre colegas: a condição física de quem está operando.
Cirurgias bucomaxilofaciais frequentemente exigem longos períodos em posições estáticas, precisão manual sustentada e controle motor fino sob fadiga progressiva. Nenhuma dessas exigências é compatível com um corpo negligenciado. Postura inadequada ao longo dos anos compromete a coluna cervical e lombar, reduz a resistência muscular necessária para procedimentos extensos e aumenta o risco de tremor fino nas etapas mais delicadas da cirurgia.
Por isso, oriento residentes e colegas a tratarem a atividade física regular como parte da rotina profissional, não como algo à parte dela. Musculação orientada, trabalho de estabilização de core e condicionamento cardiovascular têm impacto direto na resistência durante cirurgias longas e na qualidade do controle motor fino ao final delas, momento em que a fadiga costuma comprometer mais a precisão.
Isso deveria fazer parte da formação cirúrgica desde cedo, junto com técnica e protocolo. Performance técnica sem preparo físico tem prazo de validade.