19/11/2024
Bruxismo é definido como uma atividade repetitiva dos músculos mastigatórios, caracterizada pelo apertar ou ranger dos dentes e/ou pela sustentação ou impulsão da mandíbula. Esta definição inclui dois fenótipos circadianos: o bruxismo do sono e o bruxismo da vigília.
O entendimento atual aponta que o bruxismo do sono é de origem central e mediado por neurotransmissores, principalmente a dopamina.
A ação do Botox® no bruxismo é de natureza periférica, ou seja, ela não atua diretamente sobre os parâmetros fisiológicos subjacentes ao distúrbio, e leva somente a uma da força muscular durante os eventos. Dessa forma, estudos mostram que indivíduos com bruxismo do sono que foram submetidos às injeções de Botox® mantiveram a mesma frequência, duração e número de eventos eletromiográficos. Isso indica que, embora a toxina botulínica possa reduzir a intensidade da atividade muscular, ela não altera a ocorrência dos episódios de bruxismo nem a sua duração.
Além disso, apesar da redução da força do músculo, os contatos dentários permanecem relativamente eficientes e o desgaste dentário continua a ocorrer, o que faz com que o uso da placa oclusal para proteção de estruturas ainda se torna obrigatório nos casos de bruxismo do sono.
Nos casos de bruxismo da vigília, igualmente, não foram encontradas pesquisas que respaldem o emprego do Botox®. Isso se deve ao fato de que o bruxismo da vigília é predominantemente um padrão comportamental, e o controle efetivo desse tipo de bruxismo requer intervenções que abordem os aspectos comportamentais e psicológicos subjacentes ao distúrbio.
Fonte: Declaração oficial sobre a utilização da toxina botulínica na especialidade de DTM E DOF da SBDOF.
Alessandra Kasper Ortolan | CRO SC 5080
Especialista em DTM e DOF
Capacitação em Odontologia do Sono