03/09/2026
Periodontite não é simplesmente “uma infecção na gengiva”.
É uma doença inflamatória crônica que acontece quando o equilíbrio entre os microrganismos presentes na boca e a resposta do organismo é rompido. Em condições de saúde, existe uma relação equilibrada entre a microbiota e os tecidos que sustentam os dentes. Quando esse equilíbrio é alterado, ocorre o que chamamos de disbiose.
Na disbiose, o biofilme sofre mudanças na sua composição e no seu comportamento, favorecendo uma comunidade microbiana capaz de estimular e manter uma resposta inflamatória persistente. A destruição dos tecidos periodontais não depende apenas da quantidade de bactérias, mas também da maneira como cada organismo responde a essa alteração.
Clinicamente, alguns sinais podem indicar a presença de doença periodontal: sangramento durante a escovação ou ao passar o fio dental, gengiva avermelhada ou inchada, retração gengival, mau hálito persistente, aumento da mobilidade dos dentes e alterações na posição dos dentes. Nem todos esses sinais estão presentes em todos os casos e, muitas vezes, a periodontite pode evoluir sem causar dor.
Quando a inflamação persiste, pode ocorrer perda progressiva do ligamento periodontal e do osso que sustentam os dentes.
Por isso, o tratamento não consiste apenas em “tirar o tártaro” ou combater bactérias. É necessário controlar o biofilme, os fatores de risco e a inflamação, além de manter o acompanhamento periodontal ao longo do tempo.
A periodontite é uma doença complexa, resultado da interação entre microbiota, tecidos periodontais e resposta do organismo. O conceito de disbiose ajuda a compreender melhor como esse processo se desenvolve e por que o tratamento precisa ser individualizado e contínuo.
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