06/10/2026
Durante muito tempo, essa ideia de Virginia Woolf teria feito muito sentido para mim, mesmo antes de eu conhecer o livro. No meu primeiro casamento, muitas vezes eu sentia que precisava explicar demais o que estava fazendo, por que estava fazendo, para onde estava indo e por que havia escolhido aquilo.
E isso chegava também à minha vida profissional. Cursos e congressos, que sempre fizeram parte da profissional que eu quis ser, muitas vezes vinham acompanhados de desconfiança e insinuações sobre se eu estava realmente viajando para estudar ou se havia outro motivo por trás da viagem. Quando esse tipo de questionamento se repete, ele vai ocupando espaço e você começa a perceber que precisa justif**ar escolhas que deveriam ser naturalmente suas.
Talvez seja por isso que a frase sobre “uma porta que pudesse trancar” tenha me tocado tanto, pois essa porta também pode ser simbólica. É poder estudar sem culpa, trabalhar sem precisar pedir licença emocional, ter projetos próprios, ganhar o próprio dinheiro, fazer escolhas e preservar espaços da vida que pertencem a você. Eu sempre fui extremamente comprometida com minha profissão e com a minha família, sempre acreditei nos meus valores, nos meus ideais e naquilo que queria construir. Talvez a aquariana nata aqui também tenha ajudado.
Hoje, olhando para trás, percebo o quanto é importante que uma mulher preserve esse lugar dentro dela, porque existem formas de controle que começam questionando, criticando, ironizando e fazendo você se explicar cada vez mais. E talvez algumas mulheres nem tenham percebido o quanto vêm diminuindo seus próprios espaços para evitar conflitos.
Virginia Woolf escreveu sobre mulheres que precisavam de dinheiro e de um teto todo seu para criar. Quase cem anos depois, eu acrescentaria: toda mulher precisa ter algum lugar na própria vida em que não precise pedir permissão para ser quem é.
Você já sentiu que precisava justif**ar demais alguma escolha que era importante para você?