21/08/2026
Hoje eu quero dividir algo que vai muito além do meu trabalho.
Quando o sr. Francisco chegou até mim, era um paciente em acompanhamento oncológico, vindo de um período extremamente difícil. Havia perdido 20 quilos e já não conseguia aproveitar algo tão simples e, ao mesmo tempo, tão precioso: comer. Sobrevivia praticamente de caldos e sentia saudade dos sabores que antes faziam parte da sua vida.
Mastigar novamente era o seu maior desejo.
Hoje, após apenas 6 sessões de laser, começamos a viver pequenas e imensas vitórias. Peixe, feijoada, frango… alimentos que voltaram, aos poucos, a fazer parte da sua rotina. E agora seguimos na expectativa de, em breve, liberar aquela comida que ele tanto ama. Cada nova possibilidade tem sido celebrada como uma grande conquista.
E talvez seja isso que essa história mais me ensinou: nós só percebemos o tamanho das coisas simples quando, por algum motivo, elas nos são tiradas.
Sentar à mesa. Sentir o sabor de uma comida. Mastigar. Escolher o que comer. Dividir uma refeição com quem amamos… coisas tão comuns, até o dia em que deixam de ser.
Mas preciso dizer algo com toda a humildade do meu coração: esse feito não é meu.
Antes de atendê-lo, eu consagrei minhas mãos a Deus. Pedi que Ele estivesse à frente de cada decisão, de cada sessão e de cada passo. Porque ele chegou até mim desacreditado, depois de tantas tentativas, e eu sabia que, humanamente, carregava uma grande responsabilidade: eu era a última tentativa em que ele ainda depositava esperança.
Então eu não quis entrar nessa batalha sozinha.
Eu convidei o maior Mestre para estar nela comigo.
E é por isso que, mesmo antes de chegarmos ao final dessa caminhada, eu já consigo dizer: nós já vencemos. Porque quando a fé volta a ocupar o lugar do medo, quando a esperança encontra espaço mesmo depois do cansaço e quando Deus é convidado para conduzir aquilo que nossas mãos sozinhas não podem alcançar, cada pequeno avanço se transforma em um milagre para ser celebrado.