26/09/2026
Quem me conhece, sabe o quanto eu amo o MAR! E na mesma proporção que o acho encantador, sinto medo da sua imponência (sim, eu tenho muito medo de encarar suas ondas mesmo em águas rasas).
E em todas as vezes que me proponho a silenciar minha mente, acompanhando o ir e vir das águas, percebo grandiosos ensinamentos e lições de vida. E fiz isso essa semana, em Costa Nova, Portugal, por poucos e longos minutos.
Ao observar as águas do mar diante de um rochedo, observo que ela se alterna entre enfrentar o obstáculo ou o desviar. Quanta sabedoria existe naqueles que observam, ponderam e determinam o momento em que o embate ou o silêncio são necessários para a nossa proteção e sobrevivência.
Ao aguardar que as águas (muito) geladas alcançassem os meus pés a determinada distância do mar, refleti sobre a paciência que deveria reger o nosso dia a dia. A paciência com o ritmo da vida, das pessoas, dos acontecimentos. Ritmo este que jamais esteve e jamais estará sob o nosso controle. E esta tentativa ou ilusão de que conseguimos controlar o ritmo ou o tempo, nos consome, nos deprime e nos afasta. Em algum momento, as ondas que se espalhavam na areia certamente iriam molhar meus pés. E eu soube esperar (difícil pra mim, viu?). Esperançosa e confiante de que o objetivo seria alcançado. Num tempo que não estava no meu controle.
E, finalmente, o vai e vem das águas me lembraram que somos cíclicos, como tudo na natureza. As horas do dia, os dias da semana e as estações do ano. Os relacionamentos, as experiências, os momentos, os sentimentos. O nosso ânimo, a nossa coragem, a nossa disposição. Passam por altos e baixos. Por rasos e profundoS. Começam, terminam, mas recomeçam. E temos, então, novas oportunidades de fazer diferente, de olhar por outro ângulo, de tentar mais uma vez. “Está tudo bem errar, Suzana!”, numa tentativa de reduzir as expectativas que eu mesma coloco sobre o que sou e o que faço.
Se dependesse do mar, ele persistiria incansavelmente em seu movimento até me convencer de tudo que acabou de me dizer. Mas acho que entendi o recado e volto pra casa mais leve.