03/10/2019
Muito bem escrito.
Assino embaixo.
*QUAL O MELHOR ANTIBIÓTICO PARA INFECÇÕES ODONTOLÓGICAS?*
Meus amigos, dando sequência a nossa série de postagens sobre o uso RACIONAL dos antibióticos na endodontia, hoje quero discutir com vocês sobre um aspecto que considero de fundamental importância: sendo constatada a real NECESSIDADE do uso da antibioticoterapia sistêmica, QUAL ANTIBIÓTICO USAR??
Uma das situações mais preocupantes nas prescrições de antibióticos por colegas, além da prescrição SEM NENHUMA NECESSIDADE, é a prescrição do medicamento ERRADO!!!! É comum o questionamento ao paciente: “Você prefere tomar 3 comprimidos por dia ou 1 só?”. E, muitas vezes, baseado exclusivamente NESSA PERGUNTA que o profissional escolhe entre AMOXICILINA ou AZITROMICINA (??!!). E só!!!
Vamos raciocinar um pouquinho para tirar algumas conclusões.... uma vez constatada a real necessidade da antibioticoterapia (edemas difusos, trismos, febre, celulites...) ou seja, quando o organismo nos dá sinais de que o sistema imunológico do paciente está falhando, o início da administração dos antibióticos deve ser IMEDIATO!! Nesses casos, o risco do paciente evoluir para um comprometimento sistêmico grave é muito alto!!!
Idealmente, o mais indicado SERIA fazer um exame bacteriológico, para podermos saber exatamente qual o tipo de população bacteriana da infecção do paciente. E eu falo SERIA, porque os resultados dificilmente sairiam antes de 7-14 dias..... tempo demais de espera para uma conduta que, QUANDO INDICADA, deve ser adotada imediatamente. Então, normalmente, a seleção do antibiótico é realizada com base nos estudos bacteriológicos, fazendo do antibiótico de eleição aquele que possui o espectro de ação mais compatível com os tipos de micro-organismos que comumente encontramos nas infecções endodônticas.
O gráfico apresentado mostra a relação de compatibilidade entre os antibióticos e os micro-organismos normalmente presentes nas infecções odontológicas. Esse gráfico é importante, mas não deve ser utilizado com ÚNICO CRITÉRIO na seleção do antibiótico a ser administrado. Toda terapia antibiótica parte do princípio de que seu uso deve ser somente quando necessário, pelo menor tempo possível e, se possível, usando um único antibiótico. Lembrem-se de que, como pano de fundo desta discussão, temos o grave problema da resistência bacteriana aos antibióticos, que muito se deve ao uso indiscriminado e desnecessário dessa classe de medicamentos. Portanto, quando menos e por menos tempo eu utilizar, sempre é a melhor opção.
Por esse motivo, a primeira opção deve se sempre a AMOXICILINA. Espectro de ação com os micro-organismos envolvidos superior a 91%, rápida absorção intestinal, chega aos níveis sanguíneos desejados rapidamente e mantem-se por um período longo, resiste bem aos ácidos gástricos, podendo ser ingerida com alimentos. Havendo sinais de resistência, aí sim recomenda-se associação com CLAVULANATO ou METRONIDAZOL (que atua também em alguns tipos de protozoários que possam estar presentes nas infecções odontológicas). “Guilherme, por que não o CLAVULIM como primeira opção?”..... A associação AMOXICILINA + CLAVULANATO até pode ser utilizada como primeira opção, devendo o profissional saber que na maioria esmagadora das vezes o Clavulanato está sendo administrado sem necessidade (em 90% dos casos a Amoxicilina sozinha já cumpriria a função). Porém, pior do que usar um fármaco sem necessidade, é extender essa terapia para um número grande de dias, sendo este um dos principais fatores do aparecimento de infecções resistentes aos antibióticos. Portanto, em qualquer terapia antibiótica, ATENÇÃO MÁXIMA com o TEMPO DE TRATAMENTO. Desapareceram sinais e sintomas, pode-se suspender o antibiótico sem problema algum.
Resumindo:
Primeira escolha: AMOXICILINA 500mg (dose de ataque inicial de 1g).
Sinais de resistência: AMOXICILINA 500mg + CLAVULANATO 125mg (dose de ataque inicial de 1g/250mg) ou AMOXICILINA 500MG + METRONIDAZOL 250mg (dose de ataque inicial 1g / 500mg).
Segunda escolha (alérgicos à penicilina): CLINDAMICINA 300mg (dose de ataque inicial de 600mg).
Observação: AZITROMICINA não é alternativa!!!
Lembrando que:
- Antibióticos NÃO DIMINUEM A DOR!!
- Antibióticos NÃO ACELERAM O REPARO!!
- Antibióticos NÃO DIMINUEM A INCIDÊNCIA DE FLARE-UPS!!
A indicação correta é o segredo para os melhores benefícios ao paciente, a curto e longo prazo!
Pensem nisso!!!
Guilherme Rodrigues
*Este e outros tópicos (antibióticos/anti-inflamatórios/corticosteróides/analgésicos/anestésicos/sedativos) são amplamente discutidos no curso de imersão presencial “MEDICANDO E ANESTESIANDO EM ODONTOLOGIA – O GUIA DEFINITIVO”. Próxima data: 27 e 28 de Março de 2020, em São Paulo. INSCRIÇÕES ABERTAS!!! Informações por WhatsApp: (11) 99984-0739*