12/12/2020
Uma carta para o céu.
“Oi professor, como o senhor está? Bem por aqui estamos tentando ficar bem, tentando imaginar como será daqui para frente. As redes sociais estão cheias de homenagens para o senhor, todos relembrando sobre sua impecável trajetória profissional. Alunos e admiradores por todo lugar o mundo... mas isso não é nenhuma surpresa... você foi brilhante. E eu? Eu só consigo lembrar do meu amigo Ferelle. Tentando não ficar triste, porque você não gostava disso. Quantas vezes o senhor me fez repetir alguma receita, só para comer de novo… “tirar o açúcar, adicionar canela, tenta mais uma vez que não ficou tão bom, acho que faltou banana nesse bolo viu…” Todas as vezes que o senhor interrompeu minhas consultas para me oferecer chocolate (na frente das crianças...), como ficava bravo quando fazíamos regime e você levava lanche… De todos os chás da tarde que fizemos e o senhor só deixava eu comer 3 bolachinhas e guardava todas as outras em um saquinho bem fechado com elástico de dinheiro… Ou quando briguei com o senhor porque você gostava que o ar ficasse em 26 graus e estava todo mundo com muito calor… Quando você me dizia, “Ou, minha filha! Vai devagar, pega leve, o que você está fazendo ai? Sai desse computador!” “Deixa essa mochila pesada em casa Bárbara, você não precisa trazer esses livros todos os dias!!!” É… são tantas lembranças que estarão para sempre guardadas em meu coração. A gente ainda tinha planos né... você viria no meu casamento e entraria na igreja com o tio Amaury, eu iria pra Londrina só para atender seus netinhos... Mas Deus te quis perto dEle, então obrigada por tudo que me ensinou, por ter confiado e acreditado em mim tantas vezes. Fiquei te devendo umas 200 cervejas e também sua palha italiana... Que Jesus te receba de braços abertos, sentirei muitas saudades ❤️”