01/07/2021
A violência doméstica é um grande problema no Brasil, ainda mais grave para mulheres, crianças, adolescentes e idosos de todas as classes sociais, que fazem parte do grupo mais vulnerável. A pandemia de covid-19, que levou à necessidade de isolamento social, tem contribuído para um aumento no número de casos. Dados mais recentes do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos mostram que o Brasil teve mais de 105 mil denúncias de violência contra a mulher em 2020.
Segundo Rodolfo Francisco Haltenhoff Melani, professor da Faculdade de Odontologia da USP, “o cirurgião-dentista tem um papel importante na detecção de uma das pontas do problema, as lesões físicas”. Isso porque, durante as consultas de tratamento odontológico, “é possível observar o comportamento e os sinais físicos decorrentes da violência”.- leia meteria completa a seguir
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A violência doméstica é um grande problema no Brasil, ainda mais grave para mulheres, crianças, adolescentes e idosos de todas as classes sociais, que fazem parte do grupo mais vulnerável. A pandemia de covid-19, que levou à necessidade de isolamento social, tem contribuído para um aumento no número de casos. Dados mais recentes do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos mostram que o Brasil teve mais de 105 mil denúncias de violência contra a mulher em 2020.
Segundo Rodolfo Francisco Haltenhoff Melani, professor da Faculdade de Odontologia da USP, “o cirurgião-dentista tem um papel importante na detecção de uma das pontas do problema, as lesões físicas”. Isso porque, durante as consultas de tratamento odontológico, “é possível observar o comportamento e os sinais físicos decorrentes da violência”.
Mas nem sempre é simples identificar esses sinais, pois muitas vezes o próprio agressor impõe uma série de barreiras de acesso à vítima, “acompanhando-a em todas as consultas, respondendo perguntas dirigidas a ela, simulando situações para a agressão, coagindo a vítima para que ela se cale ou minta sobre o que aconteceu ou alegando um acidente doméstico”.
“Sinais como hematomas, contusões ou lacerações na face, na cavidade oral, chamados ferimentos orofaciais, podem ser considerados sinais relacionados à violência”, diz. Além deles, lesões mais específicas, lábios machucados interna ou externamente, mobilidade ou fratura de dentes decorrente de trauma, a língua apresentando lacerações, “também podem ser considerados fortes sinais da violência”.
Por conta da sensação de impotência que é bastante comum nesses casos, é preciso ter cuidado durante a abordagem profissional, até mesmo para pensar no melhor tratamento a ser implementado, principalmente porque em casos como esses a cabeça e a face são bastante atingidas.
“O encaminhamento para outros profissionais é outro passo importante”, destaca. “Temos como consequência o transtorno de estresse pós-traumático, que deve ser acompanhado”, reforça o professor, que ainda complementa, ressaltando a importância de um aconselhamento psicológico, suporte socioassistencial e jurídico, além de denunciar os fatos, para inibir e punir o agressor.
Para fazer a denúncia, a ferramenta oficial utilizada pelos profissionais da saúde é a notificação compulsória, produzida pelo Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), que deve ser preenchida pelo profissional, identificando as lesões, e encaminhada às autoridades competentes.