Perio Diária

Perio Diária PerioDiaria é direcionada a cirurgiões-dentistas trazendo dicas, casos e aulas sobre a Periodontia do dia-a-dia do clínico.

MDSD - Método dos Dentistas que Salvam Dentes foi criado pela Prof Cristina Miura, que capacita dentistas a salvar dentes condenados por periodontite, mobilidade e perda óssea - mesmo não sendo especialista Resolva seus casos e fidelize através da manutenção Perio e Implantar

17/05/2026

Achou bolsa profunda em molar e tratou sem procurar a furca? Cuidado. Pode ser exatamente por isso que a bolsa não fecha. 🦷

Todo molar com bolsa periodontal tem risco de lesão de furca. A furca é o espaço entre as raízes, e quando tem perda óssea ali, a bolsa pode ser profunda não por falta de instrumentação, mas por um defeito ósseo que ninguém identificou.

Como procurar: sonda de Nabers é o ideal, mas cureta 11-12 de Gracey, parte de trás da sonda número 5 ou até colherzinha de dentina servem. O importante é procurar nas quatro faces: vestibular, lingual, mesial e distal. Grau 1 (até 3mm horizontal) trata com instrumentação e irrigador. Grau 2 depende do caso, às vezes irrigador e manutenção controlam, às vezes precisa de amputação ou acesso. Grau 3 (lado a lado) avalia se é higienizável.

Detalhe importante: quanto mais curto o tronco radicular, mais próximo de ter furca. E raízes convergentes ou fusionadas têm prognóstico mais difícil que raízes divergentes. Tudo isso muda a conduta e o que você fala pro paciente.

Pra quem trabalha com implante: se o molar com furca for condenado sem investigação e extraído, o paciente vai pro implante. E peri-implantite é mais difícil de tratar que periodontite. Salvar o dente quase sempre é a melhor opção. 🧠

13/05/2026

Tem um erro que ainda acontece na rotina de muito consultório, e ele começa antes de qualquer cirurgia. 🦷

O paciente chega, faz uma limpeza, extrai os dentes com bolsa, instala o implante. A sequência parece lógica, parece organizada, parece resolver o problema. Mas ela p**a a única etapa que decide se o caso vai funcionar a longo prazo.

A microbiota não foi tratada. O ambiente que destruiu os dentes naturais segue do mesmo jeito quando o implante entra. E peri-implantite é muito mais difícil de tratar do que periodontite. 🔬

O grupo de pesquisa do Socransky mostrou, anos atrás, que o que define o desfecho periodontal não é o que a gente vê na superfície. É a ecologia microbiana que está embaixo. E enquanto o foco for “tirar o dente doente”, e não “reverter a desbiose para simbiose”, o problema vai migrar de lugar. Sai do dente, vai para o implante.

Nesse Reel eu falo sobre o ponto exato em que a periodontia deixou de ser “operar a bolsa” e passou a ser “tratar o ecossistema”. E por que essa diferença muda completamente o que a gente faz antes de qualquer reabilitação.

Me conta nos comentários: você trata a microbiota antes de planejar o implante, ou ainda segue a sequência clássica de limpeza, extração e instalação?

11/05/2026

Dente inteiro não signif**a boca saudável. E quando alguém famoso normaliza não escovar, isso tem consequência clínica real.

A doença periodontal não dói. Não avisa. Avança em silêncio enquanto o paciente acha que está bem porque não sente nada. 🦷

E não f**a só na boca. Periodontite ativa aumenta a carga inflamatória sistêmica, piora o controle glicêmico em diabéticos, eleva risco cardiovascular. A literatura é clara sobre isso.

O paciente que só vai ao dentista quando dói está chegando tarde. Sempre.

A nossa responsabilidade não termina no procedimento, começa antes, na educação, na desconstrução dessa crença que existe há décadas. Prevenção é tratamento. Manutenção é protocolo. 🧠

10/05/2026

Tem uma decisão que define o prognóstico do molar antes mesmo da primeira sessão de TPNC começar. 🦷

E essa decisão não está na profundidade da bolsa. Está em três indicadores que precisam ser lidos juntos, na sequência certa, antes de qualquer raciocínio sobre instrumentação.

Molar com bolsa profunda não é só um caso periodontal. É um caso onde a periodontia e a endodontia conversam o tempo todo, e ignorar essa conversa é a diferença entre tratar um dente e perder um dente. 🔬

Porque o dente que ninguém testou pode estar sem vitalidade há muito tempo. E quando a lesão envolve o periápice, o caminho clínico muda completamente. Não é mais a mesma instrumentação, não é mais o mesmo prognóstico, não é mais o mesmo plano de tratamento.

Nesse Reel eu explico quais são os três indicadores que precisam estar fechados antes de você decidir o que fazer com o molar de bolsa profunda, e por que p**ar essa leitura é uma das causas mais silenciosas de fracasso terapêutico em periodontia.

Me conta nos comentários: você já testa a vitalidade de molares com bolsa profunda antes de começar o TPNC, ou só quando aparece sintoma?

08/05/2026

Sangrou na sondagem? Não é “só gengivite”. As bactérias da boca já estão viajando pelo corpo do seu paciente. 🦷

Quando a gengiva sangra, a barreira entre boca e corrente sanguínea se rompe. O sangue que passa na boca passa pelo coração, pelo cérebro, por todos os órgãos. E as bactérias vão junto.

Endocardite infecciosa: bactérias da boca se alojam nas válvulas cardíacas e formam biofilme dentro do coração. É a maior causa de substituição de válvulas cardíacas. Começa com sangramento gengival que ninguém tratou.

Alzheimer: Porphyromonas gingivalis já foi encontrada em cérebros de pacientes com a doença. Estudos mostram que a barreira hematoencefálica f**a mais permeável a bactérias bucais em idosos. Cada retorno que o paciente perde é risco acumulado.

Câncer: Fusobacterium nucleatum, bactéria exclusiva da boca, tem afinidade por tecidos tumorais. Se o paciente tiver um tumor, ela migra e acelera a progressão.
Diabetes: citocinas inflamatórias da inflamação gengival causam resistência à insulina. A inflamação da boca piora diretamente o controle glicêmico. É via de mão dupla. 🧠

Sangramento à sondagem não é achado menor. É porta de entrada sistêmica. Cada ponto de sangramento que você identif**a e trata é prevenção de doença que vai muito além da boca. Quem não sonda, não descobre. E o que não descobre, não trata.

07/05/2026

A gente foi formado para acreditar em uma sequência. 🦷

Defeito ósseo vertical, abrir retalho, descontaminar, enxertar, fechar. O caminho cirúrgico era o caminho.

O tecido de granulação que aparecia no campo era descartado, porque era visto como tecido doente, parte do problema.

A literatura dos últimos anos virou esse raciocínio do avesso.Esse tecido de granulação que era jogado fora é cheio de células-tronco.

É justamente ele que tem o potencial de neoformar osso quando o ambiente é tratado, e não retalhado.

É o que o professor Luigi Nibali tem mostrado em uma série de estudos sobre tratamentos periodontais não cirúrgicos minimamente invasivos.

🔬E aqui mora a pergunta que poucos dentistas se fazem antes de abrir um retalho: se a cirurgia inevitavelmente custa osso, e existe pico ósseo preservado, por que descartar a chance de neoformação espontânea antes de tentar o caminho biológico?

O caso clínico fala por si. Doze meses depois do início do TPNC, sem cirurgia, sem enxerto, o defeito ósseo deu lugar a osso novo.

Me conta nos comentários: você ainda indica cirurgia como primeira escolha em defeito ósseo vertical, ou já passou a tratar com Tratamento Periodontal Não Cirúrgico primeiro?

05/05/2026

A periodontia ficou presa num modelo simples por décadas: bolsa com bactéria → raspa → resolve.

O problema é que esse modelo ignora a ecologia do biofilme.

Biofilme não é placa suja. É uma comunidade organizada, com arquitetura tridimensional, canais internos de nutrição e camadas protetoras de polímeros extracelulares que isolam as bactérias de praticamente tudo que você aplica de fora. Antisséptico não penetra. Antibiótico isolado não alcança concentração efetiva dentro dessa estrutura. O que disrupta o biofilme é ação mecânica, e é por isso que a instrumentação é insubstituível. Mas ela é o começo do processo, não o fim.
E aqui está o ponto que a periodontia convencional não considerou: os reservatórios extra-sulculares.

Porphyromonas gingivalis, Treponema denticola e Tannerella forsythia não habitam exclusivamente a bolsa periodontal. Eles colonizam língua, mucosa jugal, saliva, tonsilas. Uma bolsa recém-instrumentada pode ser recolonizada em horas a partir desses reservatórios, antes que um ecossistema menos patogênico consiga se estabelecer. É por isso que o modelo “raspa por quadrante, espera 40 dias, avalia” não sustenta resultado nos casos graves. Ele trata o sítio. Não o sistema.

Em alguns perfis microbiológicos, a complexidade aumenta ainda mais. Aggregatibacter actinomycetemcomitans, por exemplo, coloniza praticamente todos os nichos da cavidade oral e não responde à instrumentação isolada. Nesses casos, o antibiótico não é um recurso de resgate, ele é parte estrutural do protocolo, com indicação definida e fundamentação microbiológica clara.

A mudança de conduta que faz diferença é esta: o objetivo não é uma bolsa limpa. É uma microbiota reequilibrada, onde bactérias compatíveis com saúde dominam progressivamente o ecossistema oral e os patógenos do complexo vermelho perdem espaço sessão a sessão.

Quando você pensa assim, a recidiva para de ser um mistério. E o tratamento deixa de ser uma sequência de sessões para se tornar uma estratégia com começo, meio e desfecho.

04/05/2026

A placa de silicone parece a opção mais gentil para o paciente. Mais macia, mais confortável, mais fácil de adaptar. 🦷
E é exatamente por isso que ela falha.O ligamento periodontal não é um tecido passivo. Ele tem uma conexão neural com o sistema nervoso central, e essa conexão é o que regula a força da mordida em tempo real.

É o reflexo que fazia a gente parar de morder na hora que sentia a pedra no feijão. É o mesmo reflexo que diz para o paciente, em milissegundos, quanto de força aplicar em cada movimento.

🔬Quando você coloca um material resiliente entre as arcadas, esse reflexo é enganado. O cérebro lê o material como algo que precisa de mais força para ser vencido. E o paciente, que veio até você justamente porque aperta demais, sai do consultório com um dispositivo que ensina ele a apertar ainda mais.

A placa não é só um dispositivo de proteção. É um sinal que o sistema neuromuscular do paciente lê o tempo todo. E o sinal que o silicone manda é o sinal errado.

Me conta nos comentários: você já indicou placa de silicone para paciente bruxista, ou já trabalha só com placa rígida?

02/05/2026

A distinção entre perda óssea horizontal e angular muda completamente a conduta — e é exatamente aqui que muitas cirurgias são indicadas antes da hora.
Perda horizontal estabiliza.
Perda angular pode responder biologicamente.
O ponto central não é técnica.
É biologia.

O tecido de granulação presente no defeito não é apenas inflamação crônica.
Ele contém células imunes ativas e células com potencial osteogênico.
Quando o ambiente inflamatório é controlado, esse tecido pode se reorganizar.

E é isso que estudos já documentaram:
neoformação óssea sem abordagem cirúrgica, quando o processo biológico é respeitado.
Mas existe um erro recorrente:
intervir antes de testar a resposta do tecido.
Cirurgia sobre processo ativo não trata a causa.
Trata o acesso.
E a doença continua.

Isso não elimina a cirurgia periodontal.
Mas muda completamente o momento de indicá-la.
O erro mais comum não é técnico.
É decidir antes da hora.
E, na prática, essa decisão muda completamente o desfecho clínico.

01/05/2026

Existe uma crença que a odontologia plantou na cabeça do paciente, e ela está custando caro para todo mundo. 🦷

A crença de que tratamento dentário é definitivo. Que faz uma vez e está resolvido para sempre.

Ninguém leva o carro na revisão e sai sem a próxima já agendada. Ninguém vai ao cardiologista e ouve que não precisa mais voltar. Ninguém sai do ginecologista sem o retorno marcado. E mesmo assim, a odontologia ainda entrega tratamento como se fosse um produto de prateleira, com prazo de validade infinito.

O problema é que isso não protege o paciente. Protege a expectativa errada que ele tem da gente. 🔬

Quando o levante de guia canina desgasta e a guia some, a sobrecarga volta para o dente posterior. A bolsa periodontal volta. A perda óssea volta. E o paciente, que acreditou que o tratamento era para sempre, sente que o dentista falhou.

Não falhou. O modelo de entrega é que estava errado.

Plano de tratamento por ano de cuidado é a forma de transformar uma intervenção pontual em um cuidado contínuo, com manutenção previsível e resultado que se mantém. É o que separa o dentista que entrega procedimento do dentista que entrega saúde ao longo do tempo.

Me conta nos comentários: você já entrega o seu tratamento periodontal estruturado por ano de cuidado, ou ainda fecha por sessão? 👇

29/04/2026

A implantodontia evoluiu muito. A indicação, em muitos casos, não evoluiu na mesma velocidade.

Ainda existe um raciocínio simplif**ado: dente comprometido → extrai → implante → resolvido. O problema é que esse raciocínio ignora o fator mais importante: o ambiente biológico onde esse implante será instalado.

Os dados são consistentes. 22% dos pacientes desenvolvem periimplantite em até cinco anos. 43% desenvolvem mucosite peri-implantar. Isso não é falha isolada. É consequência previsível de indicação sem controle do ambiente.

O implante não entra em um espaço vazio. Ele entra em um ecossistema. Se existe histórico de periodontite, existem patógenos periodontais ativos, reservatórios bacterianos e um padrão de resposta inflamatória já estabelecido.

E a diferença biológica é relevante. O dente tem ligamento periodontal, vascularização rica e resposta imune mais eficiente. O implante não. O peri-implante responde pior e a progressão tende a ser mais silenciosa.

Isso muda a lógica de indicação. A pergunta correta não é “esse dente está ruim?”. É “esse ambiente está controlado?”.

Se não está, trocar o dente por implante não resolve o problema. Só muda onde ele vai acontecer. E, muitas vezes, em um cenário mais difícil de controlar.
Indicar implante sem controle periodontal prévio não é só uma escolha técnica. É uma decisão com risco previsível.

Endereço

Rua Raposo Tavares, 598/Instituto Pirolla
Cascavel, PR

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