Perio Diária

Perio Diária PerioDiaria é direcionada a cirurgiões-dentistas trazendo dicas, casos e aulas sobre a Periodontia do dia-a-dia do clínico.

MDSD - Método dos Dentistas que Salvam Dentes foi criado pela Prof Cristina Miura, que capacita dentistas a salvar dentes condenados por periodontite, mobilidade e perda óssea - mesmo não sendo especialista Resolva seus casos e fidelize através da manutenção Perio e Implantar

17/06/2026

Responder a críticas com achismo seria fácil. Prefiro responder com os estudos.

O vídeo que gerou esse comentário explicava três mecanismos de ação do ultrassom que a cureta, por definição física, não reproduz: cavitação, microfluxo acústico e irrigação contínua da bolsa.

Cada um desses pontos tem respaldo publicado em periódicos de alto impacto.

A cavitação gerada por pontas ultrassônicas foi filmada em câmera de alta velocidade por Vyas et al. (Journal of Clinical Periodontology, 2020): microbolhas formadas e colapsando a 2 mm de distância do biofilme, removendo-o de superfícies de titânio sem contato mecânico.

O microfluxo acústico foi estudado por Khambay e Walmsley (Journal of Periodontology, 1999), que documentaram correntes turbulentas ao redor da ponta ultrassônica com forças de cisalhamento hidrodinâmico capazes de desorganizar biofilme além do ponto de contato direto.

A cureta funciona. Isso nunca foi questionado. O que foi dito, e permanece tecnicamente correto, é que ela opera por um único mecanismo: contato mecânico na interface dente-cálculo. O ultrassom opera por quatro mecanismos simultâneos. São instrumentos com biofísica distinta.

Tratá-los como equivalentes em mecanismo é ignorar a literatura.

Mas o ponto mais importante do vídeo de hoje vai além do instrumento.

O Brasil tem uma das maiores concentrações de cirurgiões-dentistas do mundo. E ainda figura entre os países com prevalência elevada de edentulismo, especialmente em adultos acima de 40 anos, faixa em que a doença periodontal se torna a principal causa de perda dentária, conforme dados publicados em levantamentos nacionais e revisados por pares.

Não é que falte dentista. É que, em parte, falta conduta clínica baseada em mecanismo, não em hábito.

Desconhecer um conceito não o invalida. Resistir à atualização tem um preço, e esse preço aparece na boca de quem atendemos.

A pergunta que f**a, e que eu deixo aberta, sem resposta definitiva, é se a forma como praticamos a odontologia contribui para esses números. É uma reflexão que merece ser feita com honestidade, sem defensividade.

Ciência não é autoridade. É

15/06/2026

Ela perdeu o dente no palco. Milhões viram. Mas o erro começou muito antes, dentro do consultório.

5 erros que a gente comete e nem percebe que são erros: extrair dente com mobilidade e instalar implante sem controle periodontal prévio, condenar qualquer mobilidade, tratar e não entender a recidiva, achar que bolsa profunda só resolve com cirurgia, e não sondar.

Periodontite bem tratada não é progressiva. Peri-implantite é. A progressão é mais rápida, mais silenciosa, e a conta chega no pior momento da vida do paciente.

Mobilidade não condena dente. Bolsa profunda fecha sem cirurgia. Trabalhar sem sondagem é enxergar a destruição óssea sem saber o que está acontecendo dentro daquela bolsa agora.

🦷Salva esse post, da próxima vez que um paciente chegar pedindo pra extrair, você volta aqui antes de decidir.

14/06/2026

Tem um momento na carreira da gente que ninguém prepara. 🔍

É o momento em que você está no meio de uma consulta, fazendo exatamente o que te ensinaram a fazer, do jeito que te ensinaram a fazer, e alguma coisa para de fazer sentido.

Não é uma dúvida técnica. É mais fundo que isso.

É quando você percebe que o problema não está na sua mão, não está na sua técnica, não está no seu esforço. Está em um andar acima. Está na pergunta que você nem tinha aprendido a fazer.

Nesse Reel eu conto qual foi esse momento para mim. O que eu estava fazendo, o que eu estava sentindo, e o que eu descobri quando parei de tentar responder melhor e comecei a questionar a pergunta. 🧬

Me conta nos comentários: você já teve esse momento? Aquele em que algo que você aprendeu deixou de fazer sentido no meio de uma consulta? 👇

11/06/2026

A maleta tinha próteses porque ninguém pensava em salvar. O consultório moderno tem implante pela mesma razão.

Durante décadas, a solução consolidada da odontologia foi tirar e substituir. Dente com problema, extrai. Dente perdido, prótese.
Rápido, estético, resolvido. Ninguém perguntava se dava pra salvar, porque salvar exigia raciocínio clínico que ia além do que essa maleta oferecia.

Então a odontologia evoluiu. O fórceps enferrujado virou titânio. A moldeira de alumínio virou escaneamento digital. A prata precipitada nos canais foi aposentada. As limas manuais de aço viraram sistemas rotatórios de níquel-titânio. A prótese de acrílico foi substituída por CAD/CAM, zircônia, planejamento digital. E a grande substituição da substituição, a prótese, foi trocada pelo implante.

Mas o raciocínio mudou?
Antes era: dente com problema, tira, coloca prótese. Hoje virou: dente com problema, tira, coloca implante.
O instrumental ficou moderno. O vídeo viraliza. O preço subiu. A cultura da extração, ficou.

A periodontia existe justamente para fazer o que essa maleta nunca fez: entender o processo, tratar antes de decidir, preservar o que pode ser preservado. Mas parte da periodontia ainda é praticada com o raciocínio daquela maleta de madeira. Sem periograma. Sem protocolo de biofilme. Sem manutenção. Cirurgia como primeira linha. Extração antes de esgotar o tratamento não cirúrgico.

A maleta mudou. O pensamento que deveria vir antes de qualquer instrumento ainda não.
Essa pergunta não estava na maleta de madeira. E ainda falta em muitos consultórios modernos:
Será que dá pra salvar esse dente?

09/06/2026

Astronauta em órbita e paciente com periodontite ativa têm exatamente o mesmo problema. A NASA já sabe disso há anos.

Em microgravidade, a água flutua. Escovar os dentes vira um problema de engenharia. O astronauta usa escova com quantidade mínima de água, creme dental formulado para engolir, sem pia, sem ralo, sem cuspir. Todo dia. Sem exceção.

E mesmo com esse nível de disciplina, estudos mostram que a microbiota oral muda durante a missão. A microgravidade favorece o crescimento de espécies associadas à doença periodontal. O ambiente altera o ecossistema, independente da higiene.

Por isso a NASA não confia só na escovação durante o voo.

Exames periodontais são feitos seis meses antes do lançamento. Tratamentos concluídos três meses antes da missão. Eles preparam o ecossistema antes de qualquer exposição ao ambiente adverso.

Essa é a mesma lógica do RM 3 em 1, Reequilíbrio Microbiano 3 em 1. Em uma única sessão: remoção de placa, remoção de cálculo e polimento coronário completo. Três procedimentos em um, com um único objetivo: reequilibrar a microbiota antes que a desbiose se instale em profundidade.

Porque quando o ambiente muda, microgravidade, estresse, meses sem retorno ao consultório, o biofilme responde. E quem não reequilibrou antes paga o preço depois.

A NASA sabe disso. E trata antes de ser emergência. 🚀🦷

Salva esse post 📌 e me conta nos comentários: você já recebeu um paciente que voltou de um longo período sem acompanhamento periodontal com a microbiota completamente desorganizada? O que você encontrou?

08/06/2026

Mais do que aulas, o maior aprendizado está nas trocas.

Hoje reunimos, em São Paulo, alunos da Mentoria DEX para um encontro que reforçou algo que vemos acontecer todos os dias: o crescimento profissional não acontece apenas através do conhecimento técnico, mas também através das conexões.

Quando nos encontramos presencialmente, percebemos que muitos dos desafios que enfrentamos são compartilhados.

Cada conversa traz uma experiência diferente. Cada aluno compartilha erros, acertos, resultados e perspectivas que ajudam os demais a enxergar soluções que talvez demorassem meses, ou anos, para descobrir sozinhos.

Em uma odontologia que evolui tão rápido, aprender com a experiência dos outros deixou de ser um diferencial. É uma necessidade.

Muitas vezes, uma conversa durante o intervalo vale tanto quanto uma aula inteira. É nesses momentos que surgem novas ideias, parcerias, amizades e respostas para problemas que pareciam sem saída.

No final das contas, os resultados que construímos não são consequência apenas do que aprendemos, mas também das pessoas com quem escolhemos caminhar.

Obrigado a todos que estiveram presentes hoje. Seguimos crescendo juntos. 🦷

06/06/2026

Descobriram que jogar CS treina exatamente o circuito neural que você usa na instrumentação subgengival. 🎮🦷

No CS você aprende spray control — pulsar, sentir o recoil, calibrar pressão sem ser bruto. Instrumentação ultrassônica subgengival é exatamente isso. A ponta entra com pressão lateral mínima, entre 0,5 e 2 Newtons. Mais que isso, você causa dor e perde eficiência. Menos, você não desorganiza o biofilme.

E a instrumentação de furca é limpeza de mapa. Você navega a anatomia radicular sem ver. Lê a geometria pelo tato. Muda ângulo quando o acesso fecha. Quem treinou memória tátil e leitura de espaço no jogo — treinou exatamente isso.

O resultado clínico direto: instrumentação indolor. Paciente que não sente dor durante o tratamento periodontal volta. Paciente que volta indica.

Mas tem o lado que o jogo não ensina: destreza sem protocolo, sem periodontograma, sem programa de retorno — é a instrumentação mais precisa da clínica sem resultado sustentável.

A mira não substitui o protocolo. 🦷

Comenta aqui: Você já jogou esse jogo? Já tinha feito essa assimilação?

04/06/2026

Seu paciente faz cara de dor quando você sonda? Antes de achar que é sensibilidade dele, confere a força que você tá usando. 🦷

A força ideal de sondagem é de 20 gramas. É o peso de uma caneta BIC. Quer calibrar na prática? Coloca a ponta da sonda entre a unha e a polpa do dedo. Aquela pressão é o seu limite. Mais que isso machuca, porque é a força de adesão do tecido mole com o tecido duro.

A sonda OMS tem bolinha na ponta, não fura. Mostra pro paciente antes de sondar. Entrega na mão dele, explica que é uma régua que mede o espaço entre dente e gengiva. Até 3mm é normal. Se sangrar, gengiva inflamada. Quando o paciente entende, ele para de ter medo e passa a valorizar o exame.

Técnica: ao longo eixo do dente, escorregando, sem espetar. Isquemia visível é saúde. Sangramento é doença. Marca o que sangrou. Nas interproximais, dá uma viradinha pra ver se não cai numa cratera óssea. Em molares com bolsa, procura lesão de furca, vestibular, lingual, mesial e distal.

80% dos pacientes têm algum grau de doença periodontal. Esse exame de 1 minuto identif**a o que ninguém mais está identif**ando. Pra quem trabalha com implantes, a lógica é a mesma: implante que sangra na sondagem tem doença peri-implantar e precisa de intervenção. 🧠

02/06/2026

Cada dente aí teve um dono. Cada um, em algum momento, ouviu de um dentista: “esse aí não dá mais”. Quantos desses realmente não davam? 🦷

Na prática clínica eu vejo o oposto quase todo dia: dente que colega mandou extrair e que, com TPNC bem feito, voltou a funcionar. Mobilidade grau 3 que reverteu. Bolsa profunda que fechou sem cirurgia. Isso é literatura, não milagre.

E tem um dado que pouca gente cita: perda dentária é preditor de menor longevidade (Periodontology 2000). Centenários têm mais dentes que a média. Então extrair um dente que dava pra salvar não é só tirar um dente — é mexer em algo que a ciência já ligou à vida que o paciente ainda tem pela frente.

Todo dentista que extrai sem esgotar a chance de tratar contribui pra uma pia como essa. Todo dentista que preserva, tira um dente dela.

Comenta aqui embaixo 💬 — na sua opinião, que porcentagem dos dentes extraídos hoje poderia ter sido salva?

31/05/2026

Tem uma ilusão que ronda toda reabilitação por implante. 🦷

A ilusão de que, ao colocar o parafuso no osso, a história começa do zero. Que o que aconteceu antes ficou para trás. Que aquele paciente, depois de anos perdendo dentes, finalmente teve um novo começo.

Biologicamente, nada disso é verdade.

O ambiente oral que destruiu os dentes naturais não desaparece quando os dentes saem. A microbiota patogênica permanece. O perfil imunológico do paciente permanece. E quando o implante entra, ele entra dentro do mesmo ecossistema que já provou ser hostil para estrutura dentária.

A diferença é que o implante não tem ligamento periodontal nem a mesma capacidade de defesa tecidual. E a literatura mostra que a progressão da doença periimplantar é mais silenciosa e mais rápida do que a periodontal. 🔬

Nesse Reel eu reajo a um caso de reabilitação por mini-implante com ótima execução técnica, e faço a pergunta que não está no procedimento, mas decide o que vai acontecer nos próximos cinco, dez, quinze anos: onde está o controle periodontal que deveria ter vindo antes?

Me conta nos comentários: você já recebeu um paciente com implantes instalados sem nenhum controle periodontal prévio? O que você encontrou clinicamente?

Endereço

Rua Raposo Tavares, 598/Instituto Pirolla
Cascavel, PR

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