Perio Diária

Perio Diária PerioDiaria é direcionada a cirurgiões-dentistas trazendo dicas, casos e aulas sobre a Periodontia do dia-a-dia do clínico.

MDSD - Método dos Dentistas que Salvam Dentes foi criado pela Prof Cristina Miura, que capacita dentistas a salvar dentes condenados por periodontite, mobilidade e perda óssea - mesmo não sendo especialista Resolva seus casos e fidelize através da manutenção Perio e Implantar

18/07/2026

Tem uma sequência que eu vejo acontecendo em clínica, e ela me incomoda profundamente. 🦷

O paciente perde um dente. Vai para o implantodontista. Recebe o implante. E volta para casa com a mesma boca que destruiu o dente natural, agora com um implante dentro dela.

O que ninguém para para olhar é que o ambiente oral não mudou. A microbiota patogênica não foi tratada. O biofilme continua organizado, a inflamação continua ativa, e o paciente entra no ciclo de manutenção do implante já com tudo o que derrubou o dente anterior esperando o próximo alvo.

E o implante não se defende como um dente.

Essa diferença biológica muda completamente o prognóstico do caso. Muda o tempo até a falha. Muda o que o dentista que fez a reabilitação vai ter pela frente nos próximos cinco anos. 🔬

Nesse Reel eu explico por que o implante em paciente com periodontite ativa é uma sequência errada, o que os dados da Federação Europeia de Periodontologia mostram sobre peri-implantite, e qual é a ordem correta quando o paciente periodontal precisa reabilitar.

Salva esse vídeo para rever antes do seu próximo caso. E me conta nos comentários: você já recebeu paciente para reabilitação com implante sem nenhum tratamento periodontal prévio? 👇

17/07/2026

Existe uma conta silenciosa que a periodontia clássica cobra do dentista, e ela só aparece anos depois: túnel do carpo, dedo em gatilho, cervicalgia crônica. Muita gente boa desistiu da especialidade por não aguentar mais o corpo respondendo à rotina.

A parte que raramente se fala é que esse desgaste tem origem clara: uma técnica específica que ainda é ensinada como se fosse a única.

Quando o objetivo era alisar a raiz, mão e cureta eram inevitáveis. Só que esse objetivo já caiu. Hoje a evidência aponta pro reequilíbrio microbiano, e o ultrassom entrega isso em menos tempo, sem trocar a saúde do dentista pela do paciente.

Migrar de instrumento também é escolher continuar exercendo por mais tempo, com o corpo íntegro.

E se você quiser aprender a tratar periodontite sem cirurgia, mesmo sendo clínico geral, te convido a participar do meu evento online, gratuito e com emissão de certificado, entre os dias 03 e 09 de agosto.

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16/07/2026

O que envelhece na odontologia raramente é a técnica isolada. É a lógica que sustenta a técnica.

Preparo agressivo pra faceta não era erro individual do dentista de dez anos atrás. Era coerente com a lógica da época, que enxergava o dente como estrutura a ser corrigida por desgaste. Quando a lógica mudou, a técnica caiu junto.

A cirurgia periodontal como primeira via viveu exatamente o mesmo ciclo. Foi coerente enquanto a periodontite era entendida como doença de superfície contaminada, tecido de granulação a ser removido, raiz a ser alisada. Quando Socransky mostrou que o problema é ecossistema microbiano em desbiose, e quando Nibali documentou que o tecido de granulação tem células-tronco e que o osso se reconstrói sem enxerto, a lógica cirúrgica de primeira linha caiu.

O que sobra pro dentista é um trabalho silencioso e desconfortável: auditar a própria conduta atual e perguntar quantas dela ainda estão ancoradas em lógica antiga que nunca ninguém sinalizou como ultrapassada na sua rotina.

Ninguém envia um comunicado avisando que o paradigma mudou. A atualização é responsabilidade de quem exerce.

Me responde aqui embaixo: qual foi a conduta clínica que você mais custou a abandonar depois de descobrir que a evidência já tinha mudado?

16/07/2026

Existe uma geração inteira de pacientes que carrega culpa por uma doença que nunca dependeu deles.

Foram atendidos em uma época em que a periodontite era explicada como resultado direto de escovação relaxada, de fio dental esquecido, de falta de disciplina. E saíam do consultório envergonhados, achando que a boca era consequência do próprio descuido.

A ciência já mudou essa história. Hoje se sabe que a periodontite é doença de desequilíbrio microbiano, e que uma bactéria como a Porphyromonas gingivalis, mesmo em pequena proporção, consegue desestabilizar um ecossistema inteiro. A higiene ajuda, mas não neutraliza esse mecanismo sozinha.

Só que a maioria desses pacientes nunca vai voltar pra ouvir a versão nova. Eles seguem carregando a culpa em silêncio, muitas vezes já sem os dentes que perderam.

O que dá pra fazer é interromper esse ciclo com quem chega no seu consultório hoje. Trocar o “o senhor precisa caprichar mais na escovação” pela explicação do reequilíbrio microbiano muda a relação do paciente com o próprio tratamento e retira dele um peso que nunca foi só dele.

Me responde aqui embaixo: com que frequência você ainda escuta paciente pedir desculpas pela higiene, mesmo quando ela está impecável?

14/07/2026

Todo paciente de 85 anos com prótese completa foi, um dia, um paciente de 45 anos passando pelo consultório de alguém.

Naquela consulta específica, existia uma janela. Uma indicação diferente, um tratamento periodontal completo, uma explicação sobre reequilíbrio microbiano em vez da carta de encaminhamento pra extração, e a trajetória do dente teria sido outra.

O que dói nessa história é que raramente sabemos qual foi a nossa consulta. O paciente não volta pra contar. A gente vê o desfecho só quando ele já é irreversível, quase sempre em outro consultório, longe do dentista que originalmente ficou com a primeira decisão nas mãos.

A janela do TPNC é o que muda essa lógica. Ela abre uma segunda chance clínica pra pacientes que já foram tratados como casos perdidos por gerações anteriores.

Se você começa a enxergar assim, cada primeira consulta ganha um peso diferente. Cada uma delas carrega uma decisão silenciosa sobre a trajetória do paciente até os 85 anos.

Me responde aqui embaixo: qual foi a primeira consulta que fez você repensar seu papel na trajetória de vida do paciente?

12/07/2026

A Federação Europeia de Periodontologia atualizou as diretrizes. E o que eles publicaram muda protocolo. 🦷

Em 2020, a EFP publicou suas diretrizes de nível S3 recomendando que a instrumentação subgengival pode ser feita com instrumentos manuais, sônicos ou ultrassônicos, isoladamente ou em combinação. Consenso construído por pesquisadores de renome internacional que analisaram, revisaram e votaram com base nos melhores ensaios clínicos.

Uma meta-análise de Jenny Sullivan com seis ensaios clínicos randomizados mostrou que não existe diferença clínica nem estatística entre instrumentação manual e ultrassônica no subgengival. Bolsas profundas, moderadas, tanto faz. O resultado é o mesmo.

Na prática: quem domina o ultrassom subgengival pode fazer full mouth disinfection, condensar cinco sessões em uma, na maioria dos casos sem anestesia, porque o ultrassom não corta tecido mole. Menos sessões, mais conforto, mais eficiência na agenda.

Pra quem trabalha com implantes, o raciocínio se aplica: instrumentação subgengival ao redor de implantes com insertos adequados é indicada pra controle de mucosite e peri-implantite. 🧠

11/07/2026

Tem um perfil de paciente que existe em todo consultório: o que foi informado de que precisava de cirurgia periodontal, saiu com aquela indicação escrita, adiou por medo, adiou por preço, e voltou anos depois com o dente já perdido ou próximo de perder.

Esse paciente não perdeu o dente só pela doença. Ele foi soterrado pelo intervalo entre o que a ciência já provava e o que ainda estava sendo indicado no consultório.

A meta-análise do Suvan reduz esse intervalo. Ela documenta que bolsa profunda fecha sem cirurgia quando o tratamento é bem executado, com retorno estruturado, e entrega um número que serve de âncora clínica: 74% de fechamento em até oito meses.

O detalhe silencioso desse estudo mora na palavra “bem executado”. A democratização que ele descreve serve pra quem domina instrumentação subgengival e entende reequilíbrio microbiano.

Fora disso, o dado vira miragem, e o paciente entra na estatística de recidiva.

Me responde aqui embaixo: qual foi o último paciente que você acompanhou em não cirúrgico com bolsa acima de 7mm, e o que fechou de fato?

Endereço

Rua Raposo Tavares, 598/Instituto Pirolla
Cascavel, PR

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