11/09/2026
DTM não é uma só.
Essa parece uma frase simples, mas faz muita diferença na prática.
Às vezes, recebemos um paciente com dor na região da ATM, estalos, dor muscular, cefaleia, relato de bruxismo… e rapidamente colocamos tudo dentro do mesmo diagnóstico: “é DTM”.
Mas qual DTM?
Existem pacientes com condições predominantemente musculares, outros com condições articulares, e também aqueles que apresentam mais de uma condição ao mesmo tempo.
E ainda há situações em que a dor de cabeça, por exemplo, precisa ser investigada e diferenciada de outras condições de dor.
É aí que o raciocínio clínico faz diferença.
Eu gosto de seguir uma sequência simples:
escutar o paciente → entender a história da dor → examinar → estabelecer o diagnóstico → só então pensar na conduta.
A ressonância pode mostrar uma alteração.
O paciente pode relatar que range os dentes.
A palpação pode provocar dor.
Tudo isso importa.
Mas nenhuma dessas informações, isoladamente, conta toda a história.
O mesmo rótulo — DTM — pode esconder problemas diferentes. E problemas diferentes podem exigir condutas diferentes.
Por isso, talvez uma das perguntas mais importantes diante de um paciente com DTM seja justamente:
“Qual condição está presente neste paciente?”
É esse olhar mais cuidadoso que procuro levar para a minha prática clínica, para a pesquisa e para o ensino em DTM e Dor Orofacial.
Diagnosticar melhor é, muitas vezes, começar tratando o paciente de forma diferente.
— Oscar Anacleto
Mestre e especialista em DTM e Dor Orofacial
Professor e pesquisador