15/06/2026
Carta aberta para meu amado pai:
Seu Faraday, o dia que eu mais temia passar na vida, chegou. Desde criança eu não entendia como seria minha vida sem meu pai, então sempre dizia que iria morrer muito nova pois eu preferia morrer antes dos meus pais. Hoje, adulta, sei que eu não podia continuar com esse desejo pois viver é uma dádiva concedida por Deus que jamais deveríamos desperdiçar.
Meu pai e eu nunca fomos de amar em voz alta, mas nós amávamos nos cuidados, nos carinhos, nos abraços, nos filmes assistidos juntos, nos lanchinhos…nossa maneira de dizer muito sem precisar dizer nada. Eu sempre o admirei como pai. Nada o deixava mais abalado do que nos ver tristes, doentes, chateadas ou até mesmo enraivadas com alguma besteira. Sempre sereno, o mundo se acabando e ele sempre nos protegendo das guerras desse mundo.
Eu nunca consegui explicar meu sentimento, é um laço muito forte. Eu me pegava no meio do trânsito pensando “e se meu pai morrer?” e simplesmente chorar… Deus sabe o quanto eu rezei pra esse dia não acontecer. Mas o câncer pegou meu veinho em cheio, pela segunda vez, a pancada foi forte para todos nós a ponto de certo momento eu pedir a Deus para levá-lo porque não aguentava mais assistir meu pai naquele estado.
E o seu fim chegou, painho, e te deu o descanso merecido, você lutou muito e eu fiquei muito orgulhosa da sua luta e tenho certeza que foi porque você jamais desistiria das suas filhas. Ainda bem que você partiu sabendo de todo amor que eu sinto por você e orgulhoso de mim.
Te amarei para sempre. Seu amor foi o mais puro que recebi e o meu o mais intenso que vou sentir na minha vida. 🖤