06/09/2021
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É inegável que o autismo severo pode trazer mais dor, sofrimento e limitações, mas... Quando estamos falando especificamente de bullying aí a coisa muda de figura.
Meu filho é autista leve, ele é inteligente, lê e escreve, ama filmes, tem paixão por objetos antigos, é doce e amável, altruísta, feliz, parceiro - eu diria que é a melhor companhia que uma pessoa pode sonhar em ter...
Porém, em um ambiente escolar isso pode ser um problema - o dircurso dele é confuso, o interesse dele é restrito, as frases são repetitivas, as histórias que ele conta são sempre as mesmas e a mente dele funciona por padrões difíceis para as crianças da idade dele compreenderem... Uma criança assim, sem a supervisão de um adulto vira alvo fácil, infelizmente essa é a realidade..
De nada adianta focarmos o treinamento especificamente de PROFISSIONAIS que trabalham nas escolas, enquanto não trabalharmos a mente das CRIANÇAS que convivem com nossos autistas, pois o horário de entrada, saída e recreio são os maiores propensos ao acontecimento de BULLYING, afinal nesses momentos eles estão ociosos e em grupos.
Dói na alma ouvir as crianças cochichando umas com outras, apontando o dedo. Dia desses eu cheguei a escutar, pois o menino falou alto o suficiente: "esse moleque aí oh que eu te falei..." E os dois ficaram rindo...
Eu tenho um lindo menino, de 11 anos, uma alma de uns 80 anos e uma mente que muitas vezes é de uma criança de 4 aninhos. Uma criança pura, meiga e que precisa de proteção.
As escolas precisam abrir espaço para quem realmente tem proposta de ações que irão fazer a diferença, pois eu sou uma sobrevivente, FUI DIAGNOSTICADA AOS NOVE ANOS DE IDADE, SOFRI BULLYING DURANTE TODO MEU PERÍODO ESCOLAR E ISSO TROUXE PREJUÍZOS TRÁGICOS PARA MINHA VIDA!
As mães pedem socorro, as crianças neurotipicas precisam aprender sobre autismo, não só sobre o autismo severo, mas também sobre o autismo leve, este que fala demais, que faz as atividades escolares, mas que pode também se comportar com uma criança pequena que pode precisar de colo e compreensão!
Texto: KenyaDiehl®️ AutismoMake