26/02/2021
Uma das lições que mais me chamou atenção em Montessori, foi a de que não existe criança birrenta, mas crianças com falta de ordem, falta de oportunidade, falta de independência, falta de escuta e comunicação entre adultos. Foi partindo dessa ideia que busquei me aprofundar em Montessori; para entender como isso funcionava. O curso oferecido pelo , que super indico a todos pais, professores, avós, é uma formação para pessoas que querem aprender a viver em paz com crianças (aliás, esse é o nome do curso: Viver em Paz com Crianças). Analisei como eu (um adulto), reagia diante da falta de ordem, da falta de independência, da falta de escuta e comunicação. Esse é um assunto longo, mas vou trazer alguns exemplos:
Geralmente proporcionamos ambientes de excessos: jogos com peças faltando, carrinhos variados, bonecas, miniaturas, bolas, objetos de todos os tipos e tamanhos, tudo misturados em um grande baú, onde para achar uma simples miniatura de dinossauro, é preciso que se espalhe tudo pelo chão. Na verdade, nossas casas também, em sua maioria, têm mais coisas do que realmente precisamos e, de vez em quando, fazemos uma faxina e eliminamos algo...rs. A criança, assim como eu e você, precisa de ambientes organizados, objetos/brinquedos em bom estado para seu uso, lugares previsíveis para as coisas que usamos no dia a dia. Eu fico uma fera quando encontro um pote sem tampa no armário de condimentos (parece bobagem, eu sei, mas isso me tira do sério); imagine acordar e sua escova de dente não está acessível e você ter que sair procurando pela casa inteira? Não sei você, mas eu gosto de encontrar as coisas no lugar correto, e quando isso não acontece sou movida pela ira. Assim também é nossa criança, qualquer ausência de ordem leva ao desespero, ao desequilíbrio.
Às vezes me afasto de pessoas que me deixam para baixo, que dizem que determinada coisa é muito difícil para mim, que posso não conseguir porque fulano ou sicrano não conseguiu. Aí imagino como nossa criança se sente quando digo pra ela “venha cá, deixe que eu amarro o cadarço para você.” Sei que minha intenção como adulto é ajudar, mas será que estou ajudando?
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