25/05/2026
40 anos.
Hoje posso dizer: vivi 40 anos sobre a Terra. E que jornada…
Conheci o mundo dos anos 80 e 90 — um tempo em que a infância morava nas ruas, e não nas telas. Um tempo em que o vento no rosto valia mais que qualquer notificação.
Vi o primeiro celular chegar ao Brasil, o famoso “tijolão”, quase um símbolo de um futuro que ainda não sabíamos como seria. Naquela época, muitas casas nem sequer tinham telefone sem fio. E, curiosamente, talvez por isso… também não carregávamos tanta pressa, nem tanta ansiedade.
Cresci vendo o tempo acelerar.
No fim dos anos 90 e início dos 2000, chegaram o ICQ, o Fotolog, o Orkut… e, pouco a pouco, o mundo foi cabendo dentro de uma tela. As redes sociais não apenas chegaram — elas ficaram. E transformaram tudo.
Eu vivi dois mundos em um só.
Um mundo onde havia tempo…
E outro onde fazemos tudo ao mesmo tempo: assistimos, respondemos, trabalhamos, dirigimos, ouvimos — tudo correndo, tudo urgente, tudo agora.
Uma geração que caminhava devagar se tornou uma geração que aprendeu a disfarçar a pressa.
Uma geração que mergulhava em livros se transformou em uma geração que consome fragmentos.
E eu… estou enraizada entre esses tempos.
De tudo o que vivi, aprendi que a vida nunca será completamente perfeita enquanto estivermos aqui. Aprendi a silenciar algumas dores, a acolher minhas angústias, a vigiar meus pensamentos e a reconhecer que o bem e o mal coexistem — ainda que, para mim, nunca estejam em equilíbrio.
Sonhei… e vivi muitos desses sonhos.
Outros ainda repousam no invisível, aguardando o tempo certo.
Perdi pessoas que amava…
Mas também recebi presentes raros: almas que se tornaram tesouros na minha caminhada.
E hoje, olhando para trás, entendo: aqueles 40 anos já não me pertencem mais. Eles passaram por mim… me moldaram… mas não são mais meus.
Os anos que realmente tenho são os que ainda virão.
E sobre eles, não tenho controle.
Por isso, eu os entrego.
Entrego a Deus — o Senhor do tempo, da vida e da eternidade.
E então me pergunto…
Se eu vivesse 200 anos… seria suficiente?
E se fossem 500?
500 anos intensos, plenos, cheios de vida… bastariam?
Não.
Para quem ama viver, como eu… nunca seria suficiente.
Continua ...